Óbito/Antero Simas: Morte do artista espanta” músicos e amigos do compositor no Sal

Espargos, 16 Jun (Inforpress) – Músicos e amigos do autor, compositor e intérprete cabo-verdiano, Antero Simas, dizem ter ficado espantados com a notícia da sua morte, hoje, nos Estados Unidos da América.

Antero Simas, que vivia actualmente nos Estados Unidos, morreu hoje aos 70 anos, naquele país, vítima de doença prolongada.

Em declarações à Inforpress, o músico, Mateus Nunes, visivelmente emocionado, disse ter sido apanhado de surpresa com a triste notícia, da morte do colega e amigo, embora sabendo do seu estado de saúde.

“Recebi a notícia da morte de Antero Simas com uma grande tristeza, embora sabendo que a sua situação de saúde já era difícil. Para mim ele foi mais do que um amigo, era um pai”, lembra, sublinhando que se ele Mateus está hoje na música “foi graças” a Antero Simas.

“Um grande amigo. Foi o homem que me abriu as portas no conjunto Clave d’Sal, um grupo que tínhamos aqui no Sal. Criticava-me e brigávamos bastante na música… Sem dúvida que Cabo Verde perdeu um ídolo. Antero Simas deixou belas composições, que deverão ser cantadas, como dizia Bob Marley, forever and ever (para sempre e para sempre)”, lembra com saudades.

Também o jornalista Moisés Évora diz-se “arrasado” com o falecimento de Antero Simas, um amigo de estrada há mais de 30 anos, conforme conta.

“Eu e o Antero Simas tínhamos um relacionamento de muita amizade, de família, há mais de 30/40 anos que foi solidificando cada vez mais nas lides musicais”, desabafa Moisés Évora, para quem Antero Simas deu muito por Cabo Verde, considerando que a sua emblemática composição “Doce Guerra”, ficará na memória das pessoas “eternamente”.

“Antero Simas teve o seu momento de glória enquanto compositor. Tem muitas composições lindíssimas. Antero respirava música.

Perdemos um criador de valores, que ao longo dos anos nos ía surpreendendo”, comentou o jornalista e músico, Moisés Évora, lembrando a participação e actuação de Antero Simas em vários grupos, palcos e momentos, a nível do País e na diáspora.

Para o presidente da Câmara Municipal do Sal, Júlio Lopes, a ilha do Sal e Cabo Verde estão de luto, pela morte de uma “grande pessoa, de um grande artista, que projectou muito a cultura de Cabo Verde, na área dele, que é a música”.

“Foi uma notícia que nos surpreendeu a todos. Portanto toda a comunidade de músicos em Cabo Verde está triste, consternada com esta notícia. Nesta hora de dor confortamos a família, e enviamos os nossos sentimentos”, lamentou o autarca.

Uns e outros pedem para não se deixar as músicas e composições do autor e compositor caírem no esquecimento, sustentando no adágio popular: “foi o homem, mas fica a obra”.

Consta que logo à noite os músicos locais vão desfilar na Pedonal Ildo Lobo, em Santa Maria, tocando “Doce Guerra”, em homenagem ao músico Antero Simas.

SC/JMV
Inforpress/Fim

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