“O ser humano deve olhar para trás e ver onde ele foi o mais besta possível” – Mário Lúcio

Cidade da Praia, 03 Dez (Inforpress) – O Cantor, compositor, artista plástico e escritor, Mário Lúcio Sousa, defendeu hoje que o ser humano deve olhar para trás e ver qual foi o seu “pico de bestialidade, onde é que ele foi o mais besta possível”.

Mário Lúcio,ex-ministro da Cultura de Cabo Verde, defendeu esta posição em declarações à imprensa, momento antes da apresentação da sua mais recente obra literária “O Diabo foi meu Padeiro”, esta terça-feira, na Cidade da Praia.

Nesta obra, entre a escrita literária e a investigação histórica, Mário Lúcio ajuda a perceber a história trágica do Campo de Concentração do Tarrafal, por onde passaram várias gerações de resistentes antifascistas portugueses e de nacionalistas africanos, nomeadamente cabo-verdianos.

Editada pela Dom Quixote, grupo Leya, a obra assinala os 45 anos do encerramento do Campo de Concentração do Tarrafal, hoje transformada em Museu da Resistência.

“Eu senti, sem vaidade nenhuma, que dei a minha contribuição, também foi uma experiência para mim. É como pegar vários livros de história e escrever um livro-síntese”, afirmou Mário Lúcio, completando que nesse romance conta a história do Campo de Concentração do Tarrafal de 1936 até 1974.

Ainda nas suas declarações, o autor reconheceu que existe a preocupação de preservar o edifício e a memoria que lá existe.

“Nós, a sociedade cabo-verdiana, os municípios e governo, porque o ser humano tem que olhar para trás e ver qual foi o seu pico de bestialidade, onde é que ele foi o mais besta possível e esses monumentos estão lá para isso”, argumentou.

A obra, disse Mário Lúcio, é para si “uma dádiva” e “uma missão”, já que é natural do Tarrafal de Santiago, tendo “vivido” dentro do Campo.

“É o lugar que eu melhor conheço de todos os meus romances que escrevi e hoje me sinto feliz porque é um livro de gratidão, por aqueles que morreram e sofreram para que hoje eu seja livre”, acrescentou.

Mário Lúcio explanou ainda que diria que o livro “é 99% real”, uma vez que “só baseia em factos, porque esses factos superam a ficção”.

“O meu trabalho foi poetizar e encontrar o equilíbrio na forma de contar para que fosse atraente também a leitura. Os nomes são reais, datas de nascimento, as datas das prisões, as datas das mortes. Tudo está baseado em documentos”, explicou.

Na cidade da Praia, a obra foi apresentada pelo jornalista José Vicente Lopes.

GSF/JMV

Inforpress/Fim

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