“O Albergue Espanhol” é uma viagem que vale a pena fazer – apresentador livro Jorge Carlos Fonseca

 

Espargos, 07 Jul. (Inforpress) – O apresentador da mais recente obra literária de Jorge Carlos Fonseca, intitulada “O Albergue Espanhol”, lançada esta quinta-feira no Sal, disse que a leitura deste livro é uma viagem que vale a pena fazer.

Descrevendo-o como uma casa de palavras infinitamente elástica, à procura de uma forma, José Mário Silva, percebendo que “O Albergue Espanhol” não é de fácil leitura, questiona se se está perante um romance ou um longo poema.

“A resposta não é evidente e talvez nem sequer seja necessária. O Albergue Espanhol é simultaneamente um romance e um não romance, um poema e um não poema. Ou melhor é um poema que se esforça ser outra coisa, talvez um romance mas não consegue. Este livro é sobre muitas coisas. O seu cerne é a própria ideia da literatura”, analisou.

Segundo o apresentador, Jorge Carlos Fonseca se propôs a um desafio, ao tentar compreender -“como quem olha para as coisas pela primeira vez” -, qual é a natureza essencial da literatura.

“E é assim que o Albergue Espanhol se abre a dezenas de escritores e suas obras, escavando-as e trazendo de lá, frases, versos, passagens que iluminam o texto principal e são contextualizadas em notas de rodapé.

Convém que o leitor deste livro saiba à partida que o Albergue Espanhol não é uma obra fácil. É um caminho de aprendizagem. Dá luta, estende armadilha e obstáculos (…) mas é sempre uma viagem que vale a pena”, excitou.

Considerado uma mescla de romance e poesia, Jorge Carlos Fonseca explicou, por sua vez, que esse livro resulta de extractos de um romance que começou a escrever em 1979, entre vários outros fragmentos, daí o título, já que albergue espanhol, como se costuma dizer, é um lugar onde cabe tudo.

Para o autor, que já vai no seu 18º livro, tendo publicado vários outros títulos, nomeadamente sobre direito penal, processo penal, constituição, e vinha escrevendo esta obra literária desde Abril de 2014… publicar literatura, poesia, exige uma audácia, coragem e uma segurança de que o que se produz vale a pena ser editado.

“Acho que o trabalho literário exige mais labor, rigor, sofisticação e muito mais sofrimento”, disse.

Confessando que talvez o processo de escrita acabou por rejeitar o romance ou o autor, conforme disse, tenha “entrado em conflito com o programador”, Jorge Carlos Fonseca conclui pedindo aos leitores que lhe ajudasse a perceber “O Albergue Espanhol”, seu “poema que por nada deste mundo quis ser romance”, tendo a atirada provocado alguma risada na sala.

A apresentação da nova obra de Jorge Carlos Fonseca foi integrada na programação do primeiro dia do Festival Internacional da Literatura-Mundo do Sal, que vai decorrer na ilha turística até domingo, trazendo para este convívio meia centena de escritores, de diferentes latitudes, dos quais destacam-se, dez autores cabo-verdianos, designadamente Vera Duarte, Arménio Vieira, Jorge Carlos Fonseca, José Luís Tavares, Germano Almeida, Dina Salústio, entre outros.

SC/ZS

Inforpress/Fim

Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
  • Galeria de Fotos