Search
Generic filters
Exact matches only
Search in title
Search in content
Search in excerpt
Filter by Categories
Politica
Desporto
Economia
Sociedade
Ambiente
Cooperação
Cultura
Internacional
Destaques
Eleições

Número de “zonas mortas” nos oceanos quase duplicou numa década – Guterres

Nações Unidas, Nova Iorque, 21 Abr (Inforpress) – O número de “zonas mortas” nos oceanos quase duplicou numa década, demonstrando o “fracasso generalizado” de protecção dos mares e a necessidade de novas metas globais “ambiciosas”, afirmou hoje o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres.

O aumento das zonas oceânicas sem vida animal ou vegetal, para 700 em 2019 face a 400 em 2008, é uma das conclusões da segunda Avaliação Oceânica Mundial, realizada por centenas de cientistas de todo o mundo e hoje apresentada pelo secretário-geral em mensagem de vídeo. 

“Os especialistas atribuem (o aumento de “zonas mortas” nos mares) ao nosso fracasso generalizado em conseguir uma gestão sustentável integrada das costas e dos oceanos”, disse Guterres. 

“Apelo a todas as partes interessadas para prestarem atenção a este e outros avisos. Uma melhor compreensão do oceano é essencial”, adiantou.

A agência norte-americana para os oceanos (NOS) define “zonas mortas” marítimas como sem oxigénio necessário à maior parte da vida marinha, que ou morre ou as abandona, criando “desertos biológicos” no mar.

O relatório hoje divulgado indica ainda que cerca de 90 por cento de espécies de mangais e outros ecossistemas costeiros e marinhos, bem como mais de 30 por cento das espécies de aves marinhas, também enfrentam ameaça de extinção.

Na sequência de um relatório inicial publicado em 2015, a Avaliação Oceânica Mundial aponta para uma degradação contínua de espaços costeiros e marítimos devido à acção humana.

“As pressões de muitas actividades humanas continuam a degradar os oceanos e a destruir habitats essenciais – como mangais e recifes de coral – dificultando a sua capacidade de ajudar a lidar com os impactos das mudanças climáticas”, afirmou Guterres.

“Essas pressões também vêm das actividades humanas terrestres e costeiras, que trazem poluentes perigosos para os oceanos, incluindo resíduos plásticos”, adiantou. 

O secretário-geral da ONU sublinhou que a libertação de dióxido de carbono está a acentuar o aquecimento e acidificação das águas do mar, destruindo a biodiversidade, enquanto o aumento do nível de águas do mar danifica zonas costeiras, e o esgotamento de recursos piscatórios devido a sobre-exploração gera uma perda anual estimada em 88,9 mil milhões de dólares.

“Como a Avaliação deixa claro (…) precisamos integrar melhor o conhecimento científico e a formulação de políticas”, sublinhou Guterres.

Este ano marcou o início da Década das Nações Unidas da Ciência dos Oceanos para o Desenvolvimento Sustentável e uma série de eventos internacionais relacionados com o ambiente e clima são, segundo Guterres, uma oportunidade para inverter o rumo.

“As conclusões desta Avaliação sublinham a urgência de resultados ambiciosos nas cimeiras e eventos de alto nível da ONU sobre biodiversidade, clima e outros ao longo deste ano”, acrescentou.

“Juntos, podemos promover não apenas uma recuperação verde – mas também azul – da pandemia covid-19 e ajudar a garantir uma relação resiliente e sustentável de longo prazo com o oceano”.

Guterres é uma das personalidades que intervirá na cimeira virtual sobre a crise climática, ​​​​​​​quinta e sexta-feira, promovida pelo Presidente dos Estados Unidos, Joe Biden.

O Presidente chinês, Xi Jinping, vai também vai participar da cimeira, apesar do declínio nas relações entre Pequim e Washington, informou hoje o ministério dos Negócios Estrangeiros da China.

O chefe de Estado chinês vai fazer um “discurso importante” via videoconferência, a partir de Pequim, revelou o ministério, poucos dias depois de os dois países se comprometerem a “cooperar” na questão das alterações climáticas.

China e Estados Unidos são os dois maiores emissores de gases de efeito estufa, a fonte do aquecimento global, e o acordo entre os dois países é, portanto, considerado crucial para o sucesso dos esforços internacionais na redução das emissões.

Inforpress/Lusa/Fim

Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
  • Galeria de Fotos