Novo Banco: Carlos Moura ex-PCE culpa accionistas pelo descalabro do banco

 

Cidade da Praia, 12 Jul(Inforpress) – O ex-presidente da Comissão Executiva (PCE) do Novo Banco, Carlos Moura, culpou hoje os accionistas pelo descalabro desse banco e garantiu que o mesmo teria sido viável caso não houvesse problema de capital.

Carlos Moura, que foi PCE do Novo Banco de 2013 a 2016, respondia às perguntas dos deputados durante a audição na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), criada para esclarecer os contornos da criação e extinção dessa instituição financeira.

Conforme adiantou, o problema de capital bloqueou todo o desenvolvimento do Novo Banco, já que ao longo dos anos não houve reforço de capital, que, segundo o plano de negócios, devia atingir os 900 mil contos.

“O capital inicial era de 300 mil contos e o plano de negócios descrevia que o reforço do capital devia chegar até 900 mil contos. Portanto, se tivesse sido cumprido as realizações de capital, conforme ditava o plano de negócios, as coisas poderiam ser diferentes”, disse o ex-PCE do Novo Banco.

“O problema do capital bloqueou todo o desenvolvimento do Novo Banco”, reiterou, adiantando que todas as auditorias feitas indicavam para a necessidade de investimentos, que, entretanto, não eram suportados pelos accionistas.

O banco, revelou, funcionava sem um departamento de auditoria interna porque a sua criação teria que aumentar os custos de estrutura e de certa forma complicar o resultado seu líquido, que, na altura em que entrou, já era negativo.

“Nós fomos fazendo aquilo que podíamos porque o banco estava a funcionar e não havendo capital não podíamos fazer despedimentos, não podíamos fechar” disse.

Conta ainda que quando entrou para a gestão do Novo Banco, em 2013 encontrou a “situação já complicada”, tendo recebido também a indicação que os accionistas não estavam dispostos a injectar mais capital.

Por isso, adiantou que elaborou um plano de recuperação e saiu em busca de parceiro externo.

“Encontramos esse parceiro, Afriland First Bank dos Camarões, e o trouxemos para aqui, mas o negócio não foi para frente”, revelou, acrescentando que houve também um plano encomendado do PWC, empresa portuguesa, que também não foi viabilizado pelos accionistas.

Carlos Moura, que foi PCE do Novo Banco de 2013 a 2016, considera que caso esses planos tivessem sido aprovados pelos accionistas o banco estaria a funcionar normalmente pelo que considera que “foi um erro o fecho do Novo Banco”.

A experiência mal sucedida do Novo Banco custou ao Estado cerca de um milhão e 800 mil contos e mais de 60 trabalhadores perderam os seus postos de trabalho.

No mês de Março, o BCV anunciou a medida de resolução que decretou ao Novo Banco, que consistiu na alienação parcial das suas actividades e da maior parte dos seus activos e passivos à Caixa Económica de Cabo Verde (CECV).

Eram accionistas do Novo Banco, o Estado de Cabo Verde que tinha uma participação de 42,33%, o Instituto Nacional de Previdência Social (INPS) com 28,28%, a com CECV 11,76%, os Correios de Cabo Verde com 7,35%, a Imobiliária Fundiária e Habitat (IFH) com 7,35% e o Banco Português de Gestão com 2,94%.

MJB/ZS

Inforpress/fim

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