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Nova vaga de violência na República Centro-Africana já obrigou à fuga de 88.000 pessoas – ONU

 

Genebra, 30 Mai (Inforpress) – A nova vaga de violência na República Centro-Africana já levou à fuga de 88.000 pessoas desde o início do corrente mês, indicou hoje o Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (ACNUR).

Desde o reacendimento este mês dos combates entre as facções rebeldes, bem como dos ataques de milícias contra civis, “mais de 68.000 pessoas fugiram das respectivas casas na República Centro-Africana, enquanto perto de outras 20.000 procuraram refúgio na República Democrática do Congo (RDCongo)” durante as últimas duas semanas, explicou um porta-voz do ACNUR, Babar Baloch, em declarações à imprensa em Genebra (Suíça).

“Os ataques de grupos armados provocaram o deslocamento nos municípios de Bria, Bangassou e Basse-Kotto”, situados na zona leste da República Centro-Africana, referiu a agência da ONU, destacando que só em Bria foram registados mais de 41.000 deslocados.

Perante tal cenário, as Nações Unidas lançaram um apelo urgente aos doadores internacionais para financiaram um fundo para a República Centro-Africana, um dos países mais pobres do mundo. Até à data, a ONU recebeu apenas 6% dos 209,2 milhões de dólares (cerca de 187,4 milhões de euros) que foram pedidos.

A deposição, em Março de 2013, do Presidente François Bozizé pela rebelião Seleka (muçulmanos) mergulhou esta ex-colónia francesa na maior crise desde a sua independência, em 1960, desencadeando combates mortais entre comunidades muçulmanas e milícias cristãs (‘anti-balaka’) em 2013 e 2014.

A intervenção de França (até Outubro de 2016) e da missão de manutenção de paz da ONU na República Centro-Africana (MINUSCA) permitiu o regresso da calma à capital centro-africana Bangui, mas o interior do país testemunhou um reacendimento da violência desde Novembro passado.

Num comunicado divulgado pela ONU no passado dia 25 de Maio, a organização internacional já apresentava um balanço alarmante desta nova vaga de violência.

“O ressurgimento dos últimos focos de tensão nas últimas duas semanas fez cerca de 100.000 novos deslocados, 200 feridos e 300 mortos”, referiu a nota informativa da ONU, que citava o coordenador humanitário (da organização internacional) na República Centro-Africana, Najat Rochdi, e a ministra dos Assuntos Sociais e da reconciliação nacional centro-africana, Virginie Baikoua.

Seis elementos da missão de manutenção de paz, conhecidos como ‘capacetes azuis’, foram mortos este mês na região centro-africana de Bangassou.

Segundo os números totais apresentados pela ONU, mais de 500.000 pessoas estão deslocadas na República Centro-Africana e mais de 120.000 refugiados centro-africanos vivem actualmente na RDCongo.

Outro relatório das Nações Unidas divulgado hoje denunciou a grave situação que se vive ao nível dos direitos humanos na República Centro-Africana na última década.

O documento identifica centenas de violações de direitos humanos naquele país desde 2003, actos que podem constituir crimes de guerra, incluindo massacres, violações em grupos e a destruição de aldeias inteiras por fogo posto.

Os investigadores da ONU apontam a existência de mais de 600 abusos ao longo da última década e instam as autoridades daquele país a trazerem justiça às vítimas.

“Ao documentar as violações e os abusos do passado, esperamos galvanizar os esforços nacionais e internacionais para proteger e trazer justiça às vítimas desses crimes”, afirmou Parfait Onanga-Anyanga, representante especial da ONU na República Centro-Africana.

O Tribunal Penal Internacional (TPI) está a examinar entretanto abusos cometidos em 2003 no território centro-africano.

Inforpress/Lusa

Fim

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