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Nigéria e Camarões começam repatriamento de vítimas do Boko Haram com apoio do ACNUR

Abuja, 23 Ago 2019 (Inforpress) – Nigéria e Camarões iniciaram, com apoio do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), um processo para a repatriação voluntária de deslocados provocados pelo grupo ‘jihadista’ Boko Haram, anunciou hoje a agência da ONU.

A primeira repatriação voluntária aconteceu hoje, com 133 refugiados nigerianos de 23 famílias a serem transportadas do campo camaronês de Minawao para Yola, no nordeste da Nigéria.

A operação, resultado de um acordo tripartido entre os países e o ACNUR, pretende apoiar o regresso e a reintegração de quem deseja voltar à Nigéria de forma voluntária e, assim, aliviar a situação na fronteira.

“Esta operação de repatriamento foi preparada durante muito tempo com as autoridades camaronesas e nigerianas dos dois lados da fronteira. Mais de 2.000 nigerianos expressaram o seu desejo de regressar ao seu país e temos facilitado este repatriamento com segurança e dignidade”, assinalou Mylene Ahounou, responsável do ACNUR na zona camaronesa de Maroua, norte do país, num comunicado citado pela Efe.

Este ano, a Nigéria mostrou-se disponível para acolher cerca de 4.000 nigerianos, um número ainda assim muito abaixo do total afectado pelas actividades do Boko Haram.

As repatriações voluntárias chegam, neste momento, a deslocados originários dos estados nigerianos de Adamawa e Bauchi, onde a situação de segurança é melhor. Por outro lado, Borno mantém-se como o principal centro da violência do Boko Haram.

O acordo entre Nigéria, Camarões e ACNUR representa um marco legal de cooperação para o repatriamento voluntário, enquanto garante a segurança dos deslocados e o respeito pelos direitos humanos.

No passado, o ACNUR alertou para as consequências das acções do grupo na fronteira, que levaram a deportações de refugiados por parte dos Camarões ou a semanas consecutivas com elevados fluxos de nigerianos que regressavam ao Borno sem condições de segurança.

A situação na Nigéria e Camarões representa uma crise maior que afecta a bacia do lago Chade que, além das actividades do Boko Haram, é também atingida por uma seca.

O grupo Boko Haram foi criado em 2002, no nordeste da Nigéria, por Mohameh Yusuf, após o abandono do norte do país pelas autoridades nigerianas.

Inicialmente, os seus ataques eram dirigidos à polícia nigeriana, uma vez que representava o Estado. No entanto, desde a morte de Yusuf, em 2009, o grupo passou a ter uma abordagem mais radical.

Desde então, o Boko Haram matou mais de 20.000 pessoas e as suas ofensivas provocaram aproximadamente dois milhões de deslocados, de acordo com as Nações Unidas.

Inforpress/Lusa/Fim

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