Nhô Santo António/Brava: Octogenária caminha cerca de três quilómetros para manter viva tradição e legado familiar

Nova Sintra, 12 Jun (Inforpress) – Deolinda Gomes, de 83 anos, nasceu e encontrou os pais a festejar a bandeira de Santo António, na altura com um pano branco colocado num pau que trazia todos os anos à igreja e hoje é a única filha que ainda consegue fazer o percurso.

Conforme contou à Inforpress, a saúde não está a 100 por cento (%) devido à idade, mas todos os anos faz este percurso pela fé no Santo António, a tradição e o legado familiar.

Segundo a mesma fonte, hoje, o dia em que celebra às vésperas de Santo António, saíram de casa em Cova Rodela de Baixo às 14:00 para se encontrar com a bandeira mãe que fica na localidade de Lém e juntos seguirem à capela de Santo António para a bênção das mesmas.

Ao sair de casa onde se encontra a bandeira, que é acompanhada de tamboreiros, coladeiras e fiéis que fazem o trajecto com esta família, andando de casa em casa em Cova Rodela até chegarem à localidade de Lém.

No caminho, a festeira realçou que distribuem comes e bebes e muitas pessoas colocam dinheiro na bandeira, mas este dinheiro não pode voltar à casa dos festeiros, tudo o que for arrecadado é para ser distribuído aos tocadores e coladeiras e no próximo ano o Santo António proverá para as festas.

Chegando à localidade de Lém, os tamboreiros e coladeiras de Cova Rodela unem-se aos de Lém onde se encontra a bandeira mãe e o repicar dos tambores fica mais forte sem falar da euforia das coladeiras e de todos que os acompanham até a capela para a bênção destas bandeiras que regressam de novo à casa dos festeiros num cortejo a pé e no dia 13, dia de Santo António fazem o mesmo percurso para a capela e no final para casa.

Após a missa solene em honra a Santo António, santo padroeiro da localidade de Lém, cada festeiro oferece em sua casa o tradicional almoço, fazem o mastro que no final da tarde é dado o bote.

Esta tradição, Deolinda Gomes sublinhou que está a ser passada de geração em geração e o compromisso dessa família até os actuais netos é não deixar a tradição morrer e assim vão incentivando as gerações futuras e fortalecendo-as na fé para dar continuidade a esta bandeira não só porque é tradição, mas pela verdadeira fé.

Pois, conforme afiançou, hoje em dia as festas das bandeiras estão a focar mais nas actividades pagãs, esquecendo-se assim das partes culturais e tradicionais, exemplificando com a falta de coladeiras e diminuição do número de tamboreiros.

As actividades alusivas às festividades de Santo António vão culminar esta segunda-feira, 13, com a missa solene na capela na localidade de Lém pelas 10:30, mas antes, logo às 06:00 será feito o cortejo ao mastro.

MC/CP

Inforpress/Fim

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