“Não é negando a palavra suicídio que se diminui o risco e número de casos” – especialista

Cidade da Praia, 23 Set (Inforpress) – O presidente da Associação Brasileira de Estudos e Prevenção do Suicídio, Carlos Felipe Almeida D`Oliveira, afirmou hoje numa conversa com os jornalistas cabo-verdianos que não é negando a palavra suicídio que se diminui o risco e o número de casos.

Carlos Felipe Almeida D`Oliveira, que foi convidado pelo Instituto Nacional de Saúde Pública e pela OMS a falar, através da plataforma zoom, da estratégia de comunicação para prevenção do suicídio, disse que negar a palavra suicídio é uma falha, porque é um pensamento que mantém o suicídio invisível.

“Muitos editoriais de jornais aqui (no Brasil) proibiram aparecimento da palavra suicídio. E muitas vezes propõem que nos falemos de tirar a vida em vez de suicídio porque acham que falar vai aumentar o número de casos. Não é negando o aparecimento dessa palavra que nós vamos diminuir o risco”, explicou.

No entanto, o especialista alertou que uma comunicação equivocada poderá trazer transtornos e recomendou que os jornalistas evitem relatar casos de suicídios só por ser um suicídio.

“Há pessoas a morrer todos os dias de inúmeras doenças ou por diversos motivos”, disse, adiantado que há casos de pessoas, como pessoas populares ou famosas e os casos de suicídios após homicídios que podem ser relatos sim, mas sem detalhes das formas ou das vias utilizadas.

Na sua perspectiva os profissionais da comunicação têm um papel fundamental na prevenção ao abordar a questão do estigma das doenças mentais.

“Como é um tema invisível e as pessoas não vão falar abertamente, nós podemos provocar o diálogo, mesas redondas, mesas de debates com profissional da média, da saúde, especializado no tema, artistas. Podemos utilizar exemplos de pessoas que foram sobreviventes que hoje vão e falam do assunto em publico”, sugeriu.

A conferência por videoconferência foi promovida pelo Instituto Nacional de Saúde Pública (INSP) em parceria com o Programa Nacional de Promoção da Saúde Mental e o escritório local da Organização Mundial de Saúde (OMS) em Cabo Verde.

O objectivo foi o de promover um conjunto de debates sobre a prevenção do suicídio com base na estratégia para a prevenção do suicídio, no quadro do Setembro Amarelo e do Dia Mundial da Prevenção Suicídio, celebrado a 10 de Setembro.

“Baseado na orientação da OMS ” Viver a Vida” estratégia de comunicação adoptada tanto pelas Instituições como pelos profissionais e Órgãos de Comunicação Social constituem uma das vertentes chaves para a prevenção do suicídio”, refere uma do INSP.

MJB/JMV
Inforpress/fim

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