Nações Unidas e EUA qualificam a violação e abusos sexuais de crianças como “muito grave” em Cabo Verde (c/áudio)

Cidade da Praia, 10 Dez. (Inforpress) – Os relatórios dos Direitos Humanos das Nações Unidas e do Departamento do Estado dos EUA qualificam a violação e abusos sexuais de crianças e de menores como “muito grave” em Cabo Verde e recomendam ao arquipélago melhoria de acção.

Esta inquietação foi manifestada esta tarde à imprensa pela Coordenadora Residente do Sistema das Nações Unidas em Cabo Verde, por ocasião do Dia Internacional dos Direitos Humanos, cuja data ficou assombrada por alegado assassinato de uma menor de 13 anos, na ilha do Sal.

Ana Patricia Graça referiu que, não obstante os progressos registados no país, “os direitos humanos em Cabo Verde estão beliscados em uma série de áreas”, tendo reclamado um olhar muito mais integrado por parte de todos os serviços públicos e de todas as pessoas, no caso da exploração e abuso sexual de menores.

Clarificou que esta recomendação das Nações Unidas e dos EUA passam por melhorias nas áreas diversas, como a prevenção, a saúde, a justiça e a segurança, e chamou atenção para que “não haja impunidade, mas celeridade nestes casos de violência, de todos os crimes, preferencialmente que sejam considerados graves”.

“Eu não penso que seja uma questão de legislação, porque existe a lei especial para estes casos, inclusive apoiada pela UNICEF, já foi revista e está a ser implementada. É preciso que se diga que os processos de violação de crianças, Violências Baseadas no Género têm vindo a ser tratados de uma forma mais célere e com muito mais atenção por parte da sociedade e de comunidade”, especificou.

Lamentou o facto dos 16 dias de activismo pela “Erradicação da Violência” em Cabo Verde ter sido marcado por uma situação muito grave de feminicídio registado em Novembro e que nada fazia prever que o dia de hoje fosse marcado pelo crime do Sal, que a mesma classifica “de mais abominável que pode existir na humanidade e, naturalmente. no país”.

Defende que o caso da Eliane não seja esquecida, ressaltando para que se fale desta tragédia de forma aberta, por entender que se torne necessário falar neste momento sobre o que se passa na comunidade/sociedade com as pessoas, agressores, criminosos, em que este tipo de crimes ocorrem e se inteirar sobre a mensagem que é dada a toda a comunidade, desde segurança, polícia, poder central e local.

“Situações dessas não podem ser tratadas com naturalidade. Sabemos que em todos os países acontecem estas situações e que têm de acabar, mas é preciso esta consciência da população como um todo, em que todos podem denunciar algo suspeito, quando se trata deste tipo de crimes, para que elas não acontecem e que a justiça as trate de uma forma mais rápida”, advogou.

Relativamente à sua mensagem sobre o Dia Internacional dos Direitos Humanos. disse que enquanto houver, em qualquer parte do mundo, inclusive em Cabo Verde, assassinos de uma mulher, violação de uma criança, de uma pessoa com deficiência ignorada ou um homem que ama outro homem humilhado, há que fazer muitos mais, todos juntos, em prol dos direitos e dignidade humana.

SR/JMV
Inforpress/Fim

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