Músicos saem à rua em manifestação silenciosa contra o “descaso” das autoridades em relação à sua situação (c/áudio)

Cidade da Praia, 18 Out (Inforpress) –  Um grupo de artistas, trajados de negro, saiu hoje à rua para manifestar contra aquilo que consideram de “descaso” por parte das autoridades em relação à situação pela qual estão a passar, devido à pandemia da covid-19.

“Os músicos estão a passar por muitas dificuldades por causa desta pandemia e já esperamos muito, mas verificamos que não nos estão a dar nenhuma atenção e, por isso, decidimos fazer esta manifestação silenciosa”, explicou o porta-voz dos manifestantes Zé Rui de Pina, em declarações à imprensa.

Segundo Zé Rui, os músicos “estão parados” desde Março, altura do aparecimento dos primeiros casos de covid-16 no país e “sem perspectivas sobre uma data que vamos retomar as nossas actividades”.

“Viemos à rua porque estamos a ver tudo a acontecer, nomeadamente campanhas [eleitorais] e lugares a serem reabertos, enquanto os artistas não podem trabalhar”, lamentou o músico e produtor, acrescentando que têm famílias para sustentar e vivem da música.

Comparou, neste momento, a música cabo-verdiana a um “barco naufragado” que está a tornar “complicado” a vida  dos artistas.

“Hoje, é dia em que devíamos estar a tocar no palco para festejarmos o Dia Nacional da Cultura e das Comunidades, mas estamos de luto”, explicou  Zé Rui ao ser instado pelos jornalistas por que razão estavam a manifestar-se de T-shirt negra.

Quanto ao significado da manifestação silenciosa, esclareceu que os artistas “não pretendem fazer barulho”, mas sim apenas desejam que lhes sejam permitido trabalhar.

“Não estamos em conflito nem em guerra com ninguém. Só pretendemos dizer que queremos trabalhar”, pontuou, adiantando que mensagem deles é dirigidas a todos aqueles  que estão a impedir-lhes de trabalhar.

Confrontado com as declarações do ministro da Cultura e das Industrias Criativas, Abraão Vicente, segundo as quais os espaços culturais  já podem funcionar com um limite máximo de 100 pessoas, Zé Rui de Pina afirmou que quando souberam desta decisão já tinham marcado a sua manifestação, porque ninguém lhes disse nada.

“Há dias, um amigo meu estava a tocar no  restaurante “Nice Krioula”, um agente policial subiu ao palco e tomou-lhe a viola”, lamentou.

Para ele, a manifestação, pelo menos, na Praia, não contou grande adesão porque “muitos têm medo de dar a cara para não perderem o emprego ou então receio de não serem contemplados com trabalhos, como tem acontecido”.

Na Praça Alexandre Albuquerque, na Praia, os manifestantes estiveram de mãos atadas a uma corda e este gesto, sublinhou o promotor da manifestação, é para mostrar que os “músicos estão unidos”.

“Conheço casos de artistas que venderam os seus instrumentos para se alimentarem”, deplorou produtor musical, considerando que esta situação significa “vender a alma”.

Quim Alves veio dos Estados Unidos da América, onde vive actualmente para participar nesta manifestação em representação da diáspora e solidarizar-se com os colegas.

“Vim dar a cara para manifestar contra o que está a acontecer com a cultura em Cabo Verde, em que os meus colegas músicos não estão a ser valorizados”, admitiu o também músico e produtor.

A manifestação realizou-se na Praia, São Vicente, Sal e Boa Vista.

Entretanto, o Palácio da Cultura Ildo Lobo, assinalou hoje o Dia Nacional da Cultura, com um concerto musical, com lotação limitada por causa da covid-19 e transmissão “live stream”.

Por sua vez, o Presidente da República, Jorge Carlos Fonseca, considerou que comemorar o Dia Nacional da Cultura e das Comunidades personificado num dos “ícones maiores” da Cultura cabo-verdiana, Eugénio Tavares, é celebrar a essência do cabo-verdiano, sua história e identidade.

LC/CP

Inforpress/Fim

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