MpD reitera que Governo do PAICV tinha plena consciência que o Novo Banco estava condenado à morte desde sua criação

Cidade da Praia, 12 Abr (Inforpress) – O grupo parlamentar do Movimento para a Democracia (MpD – no poder) reiterou hoje que o então Governo do PAICV tinha plena consciência que a “morte” do Novo Banco estava anunciada desde a sua criação.

A afirmação foi feita pelo deputado do partido que sustenta o Governo, Paulo Veiga, em conferência de imprensa, na Cidade da Praia, para falar sobre o pedido da interpelação ao executivo na sessão parlamentar de Abril, sobre a resolução do Novo Banco para o esclarecimento da opinião pública e entender quais os reais interesses para a sua criação.

Segundo o deputado, na sessão parlamentar de Março, o MpD informou que a “culpa da má gestão que levou à falência do Novo Banco não pode, nem deve morrer solteira”, visto que o modo como foi gerido é a “marca distintiva do esbanjamento irresponsável” do dinheiro público por parte do Governo do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV).

“O PAICV tinha consciência de que a morte do Novo Banco já se achava anunciada aquando da sua fundação”, repetiu, considerando que apesar disso, “teimosamente”, o PAICV fazendo “tábua rasa” dos avisados alertas que os técnicos, especialistas e accionistas fizeram, “embarcou na aventura de criar o Novo Banco”.

Por estas e outras razões, o deputado pelo círculo eleitoral de Santiago Sul, sublinhou que o resultado do modelo de gestão da instituição financeira era “mais que o previsível”, ou seja, um potencial de 1,8 milhões de contos de prejuízos para os cofres do Estado, deixando 60 trabalhadores no desemprego.

Perante este quadro, a culpa, na opinião de Paulo Veiga, é dos governos do PAICV, que a deve assumir por inteiro, porque são os primeiros, senão os únicos, responsáveis pelo “descalabro” a que chegou aquela instituição financeira, ao invés de estar a procurar, “em claro desespero e desorientação, deitar poeira aos olhos dos cidadãos” e com intenção de “branquear a situação”.

“O grupo parlamentar do MpD não poupará esforços para esclarecer tudo sobre o Novo Banco, dos detalhes a questões complexas”, garantiu, prometendo que através das audições públicas no quadro da Comissão Parlamentar do Inquérito (CPI), para provar que a criação da instituição bancária, “cuja gestão foi danosa”, constituiu um “erro grosseiro” com o objectivo de “lesar o interesse do Estado”.

Neste sentido, o vice-presidente da direcção do grupo parlamentar do MpD saudou a decisão do Ministério Público de investigar as suspeitas de “crimes de infidelidade e participação ilícita em negócios” no caso do Novo Banco, sustentado que o seu partido vai aguardar o resultado da investigação que irá “pôr a nu” todos os meandros “deste escândalo preveniente do mau uso do dinheiro público”.

Na opinião do deputado, não se pode falar da boa governança, de transparência e de ética, para depois não responsabilizar ninguém, prometendo que, apesar de ter sido uma prática dos últimos 15 anos, essa realidade vai mudar, explicando que nesta questão, devem ser encontrados culpados pela gestão danosa e da responsabilidade política.

O grupo parlamentar do MpD entregou o pedido de interpelação na próxima sessão parlamentar que começa a 27 de Abril, sobre a resolução do Novo Banco ao presidente da Assembleia Nacional, no dia 04 deste mês.

No mês de Março, o Banco de Cabo Verde anunciou a medida de resolução que decretou ao Novo Banco, que consistiu na alienação parcial das suas actividades e da maior parte dos seus activos e passivos à Caixa Económica de Cabo Verde (CECV).

São accionistas do Novo Banco, o Estado de Cabo Verde que tem uma participação de 42,33%, o Instituto Nacional de Previdência Social (INPS) com 28,28%, a CECV com 11,76%, os Correios de Cabo Verde com 7,35%, a Imobiliária Fundiária e Habitat (IFH) com 7,35% e o Banco Português de Gestão com 2,94%.

DR/CP

Inforpress/Fim

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