Mosteiros: Fogo Coffee Spirit adquiriu mais do que dobro da produção de 2016

 

Mosteiros, 09 Abr (Inforpress) – A Fogo Coffee Spirit adquiriu até este momento 72 toneladas de cerejas aos produtores das zonas altas dos Mosteiros, representando um aumento de mais de 100% em relação à colheita de 2016, considerada a pior dos últimos anos.

Não obstante ter ultrapassado o dobro da produção de 2016, uma fonte da empresa disse à Inforpress que está em processo contínuo de aquisição porque ainda não terminou a colheita e falta receber a produção de algumas zonas chave, e, por isso, a previsão é para atingir as 85 toneladas de cerejas, aproximando assim do ano de 2015 em que a Fogo Coffee Spirit tinha adquirido 94 toneladas, valor mais elevado até este momento.

A previsão inicial que apontava para uma fraca ou produção nula, foi superada embora a produção não foi uniforme como em anos anteriores, existindo zonas com produção nula e outras com produção razoável, segundo produtores do café.

“Comparado com o ano passado, a produção não foi má porque 2016 foi pior ano e muita pouca gente que teve café”, disse a mesma fonte, indicando que este ano podia ser melhor, mas houve algumas localidades que devido ao fenómeno natural não produziram como tem sido habituo, nomeadamente Coxo e Ribeira Ilhéu, que tem grande potencial.

No entanto, em algumas zonas, a produção mantém-se, caso de Tagunda e Santa Cru, que são as melhores propriedades de café e que acabaram por assegurar a produção razoável.

Cada tonelada de cerejas dá uma média de 300 quilos de café comercial, o que pressupõe que, até ao momento, a empresa já adquiriu mais de 20 toneladas de café comercial, sendo que a maior parte destina-se à multinacional, Starbucks, que dispõe de maior cadeia de cafetarias do mundo e que está interessada em adquirir maior quantidade possível de café.

Além desta multinacional, a empresa recebeu pedidos de outros clientes, nomeadamente de países como a Turquia, Afeganistão, China e Portugal, além da empresa Emicela, um cliente nacional, além da Trabocca, e, dependendo do volume da colheita, a Fogo Coffee Spirit vai negociar o fornecimento com estes clientes um pouco de negócio.

Este ano, 90 por cento da produção foi processado a molhado para satisfazer as exigências da multinacional Starbucks, que está disponível para comprar qualquer quantidade disponível.

Além dos 32 produtores que possuem certificado orgânico e que a Fogo Coffee Spirit acompanha, este ano adquiriu cerejas de novos produtores/fornecedores que não estão abrangidos pelo programa de cerificação orgânica.

Assim, o café adquirido nestes produtores foi processado separado não por ser pior ou melhor, mas para permitir um melhor controlo e dar os primeiros passos para atribuição de certificação orgânica a esses produtores.

Além de adquirir a cereja por 110 escudos quilo, conforme negociado há quatro anos, a empresa tem acompanhado o campo de cafezal e, segundo os seus responsáveis, há necessidade de pulverização com produto orgânico, a ser produzido pela empresa, para dar vasão a algumas propriedades que manifesta algumas pragas prejudiciais para o café.

Graças a um bom relacionamento e parceria com o Ministério do Ambiente e Agricultura (MAA), a Fogo Coffee Spirit vai continuar a fixação de novas plantas nas zonas favoráveis a cafeeiro ou a reposição de plantas nas áreas onde tinham e que não tem.

Até ao momento, a empresa já fixou 11 mil pés de plantas de cafeeiros e a previsão é para a fixação de outras 30 mil plantas, estando a aguardar para a melhor época para plantio, que é a de chuva, já que o cultivo é no regime de sequeiro e as plantas sobrevivem com água de chuva por ser uma variedade com alguma resistência.

A Fogo Coffee Spirit tem um total de 14 funcionários, e, nesta época de colheita assegurou 46 empregos sazonais às mulheres, e aumentou o seu “staff” com mais um extensionista rural e mais quatro jovens.

O café é cultivado, principalmente, na área montanhosa e fértil dos Mosteiros, envolto por diversos microclimas e sem presença de produtos químicos (produção orgânica), sobretudo do Morgadio de Monte Queimado, a maior propriedade unificada de produção de café na ilha, premiada, por duas vezes, com a Medalha de Ouro da Exposição Colonial no Porto, em 1934 e Lisboa em 1949, como “o melhor café do império”.

Igualmente, no início do século XX, o café do Fogo foi apresentado na Exposição Universal de Paris, juntamente com a água da nascente de Aguadinha, tendo sido classificado como o melhor café do Império Português, superando em qualidade os cafés de Angola, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.

Em 1917 e 1918, o café do Fogo conquistou os primeiros prémios numa exposição agrícola realizada na Cidade da Praia, além de ter tido uma participação na grande exposição da Índia Portuguesa, em 1954.

JR/CP

Inforpress/Fim

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