Morabi forma técnicos para trabalhar com usuários de droga a vertente HIV/Sida

 

Cidade da Praia, 05 Jun (Inforpress) – A presidente da Associação Cabo-verdiana de Autopromoção da Mulher (Morabi), Eveline Figueiredo, considerou hoje “grande desafio” o trabalho que a associação vem realizando no sentido de formar e informar os usuários de droga sobre a infecção por HIV/Sida.

Eveline Figueiredo falava à imprensa, à margem da formação sobre “Tratamento e Reinserção Social dos Toxicodependentes”, dirigida a técnicos no âmbito do projecto Fronteiras e Vulnerabilidades em HIV/SIDA- Africa Ocidental (FEVE), financiado pela Cooperação Luxemburguesa.

“No âmbito do projecto FEVE trabalhamos com potenciais pessoas que possam ser portadores do HIV/Sida, hoje considerado um dos principais problemas de saúde pública. O nosso grande objectivo é dar combate a doença, pelo que o nosso alvo são os usuários de droga”, disse.

Além dos usuários da droga, a presidente da Morabi avançou que a organização vem trabalhando com os LGBT, trabalhadores de sexo e outros, visando capacita-los e actualiza-los com técnicas que os permite ter uma educação e abordagem sobre saúde.

Conforme aquela responsável, o projecto encontra-se na terceira fase e tem permitido o desenvolvimento de auxilio a nível do apoio pisco social, cestas básicas, actividades geradores de rendimento, pagamento de consultas e compra de medicamentos.

“Temos uma base de dados que nos indica que já beneficiamos mais de duas mil pessoas com este trabalho. Para isso, temos trabalhado com técnicos da organização, trabalhadores de paz e os grupos alvos”, salientou.

Para a secretária executiva da Comissão de Coordenação do Álcool e outras Drogas (CCAD), Fernanda Marques, é “muito importante” a pareceria que surge entre a instituição que dirige e a Morabi, uma vez que o interesse é dotar, cada vez mais, a estratégia de capacitar os diferentes agentes que trabalham com os toxicodependentes.

“Para nos, é fundamental que quem trabalhe com essa população actualize os conhecimentos. Daí o trabalho realizado pelo FEVE, pois, existem várias pessoas a trabalhar num espaço onde há interação social dos toxicodependentes, ou seja, nas comunidades, nos sítios de riscos, onde consumem drogas”, sustentou.

Segundo Fernanda Marques, “é fundamental” que os técnicos em formação consigam motivar os toxicodependentes para o tratamento, e, para isso, explica, é preciso que quem esteja no terreno os ajude de forma a ir ao encontro das suas necessidades e prioridades.

A representante da UNODC em Cabo Verde, Cristina Andrade, lembrou que no seio dos toxicodependentes existe um estigma social “muito grande” em termos de tratamento e fez saber que a maior preocupação da organização são as pessoas dependentes, onde o contexto de vida em que vivem tem limitações a vários níveis, e em termos de acesso básico de saúde.

“A nossa intervenção revela um conjunto de accões concertadas na área da saúde e educação, pelo que pretendemos contribuir para redução da demanda, apoiando projectos de prevenção tratamento, reinserção e prevenção HIV/Sida nos usuários de droga e nas prisões”, afirmou.

A parceria com a Morabi, realçou, é trazer à tona as evidências, ou seja, o exemplo do que está a resultar em termos de tratamento.

O projecto Fronteiras e Vulnerabilidades em HIV/ Sida (FEVE) desenvolve-se na África Ocidental, nomeadamente, Burkina Faso, Cabo Verde, Gambia, Guiné-Bissau, Guine Conacri, Mali, Níger, Costa de Marfim e Senegal, com o financiamento da cooperação luxemburguesa.

A formação, realizada em parceria com a Cruz Vermelha, a CCAD e a UNODC, decorre de 05 a 07 e visa contribuir para a melhoria no acesso e orientação dos dependentes para as estruturas de tratamento, sua reinserção na comunidade e na minimização das consequências adversas do uso de drogas.

PC/CP

Inforpress/Fim

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