Modelo de privatização adoptado pelo Governo tem provocado “consequências graves” para o país – PAICV

Cidade da Praia, 07 Jun (Inforpress) – O presidente do grupo parlamentar do PAICV (oposição), João Baptista Pereira, disse hoje que o modelo de privatização [por ajuste directo] adoptado pelo Governo tem provocado “consequências graves” para o país.

João Baptista Pereira fez essa observação em conferência de imprensa, na Cidade da Praia, para fazer o balanço das jornadas parlamentares de preparação para a sessão parlamentar que inicia na quarta-feira, e que tem como ponto alto a discussão sobre a agenda de privatizações das infraestruturas económicas do país.

“Existe estudo que mostra que as privatizações tiveram consequências graves para os cabo-verdianos, nomeadamente ao nível de aumento dos preços, do desemprego e das desigualdades sociais”, apontou João Baptista Pereira, observando que há pessoas num patamar muito confortável e outras com grandes dificuldades de levar a panela ao lume.

“Estando o Governo a preparar para avançar com as privatizações a todo vapor, nós entendemos que os cabo-verdianos devem exigir transparência no processo de privatização dos recursos nacionais que custaram muito a serem construídos”, advertiu o líder da bancada parlamentar do principal partido da oposição.

“Mais do que uma lista das empresas a serem privatizadas, esperávamos que o Governo apresentasse uma estratégia de privatização que pudesse promover a competitividade económica, a inovação tecnológica e salvaguardar todos os interesses dos cabo-verdianos”, apontou.

Por isso, garantiu que nesse debate sobre as privatizações com o vice-primeiro-ministro, Olavo Correia, o PAICV vai, “sem qualquer complexo” e com “muita firmeza”, defender o património público e que os cabo-verdianos sejam colocados no centro da acção política do Governo.

Entretanto, o deputado defendeu que o melhor modelo para a privatização tem   que ser o concurso público, uma vez que permite propostas e ofertas diversificadas e que serão analisadas para ver qual melhor satisfaz o interesse do país e dos cabo-verdianos.

“Quando se vai para o ajuste directo é muito difícil fazer o melhor negócio, sobretudo da forma como este Governo fez (…), que não defendeu os interesses dos cabo-verdianos nos processos de privatizações”, denunciou.

Em relação ao debate com o ministro de Estado, da Família, Inclusão e Desenvolvimento Social, que também consta na agenda desta sessão parlamentar, o dirigente “tambarina” disse que é “preocupante” a situação das famílias cabo-verdianas, que vivem momentos de grande privação e que veio complicar-se com a guerra na Europa.

“Vamos tentar ver junto do Governo que medidas deverão ser tomadas para a abertura de emprego público para poder acudir as famílias que não têm acesso a qualquer alimento “, informou João Baptista Pereira.

OM/CP

Inforpress/Fim

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