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Missão da ocupação israelita é manter o controlo sobre palestinianos – ex-militar

Coimbra, 25 Mai (Inforpress) – A missão dos soldados israelitas nos territórios ocupados da Cisjordânia é a de manter o controlo sobre os palestinianos e é realizada por uma ditadura militar, disse hoje um antigo pára-quedista das forças especiais de Israel.

Intervindo numa conferência Internacional promovida pelo Centro de Estudos Interdisciplinares (CEIS20) da Universidade de Coimbra, Avner Gvaryahu, 36 anos, director executivo da organização Breaking the Silence e ex-pára-quedista numa unidade de forças especiais, fez uma distinção entre o conflito israelo-árabe e a presença israelita nos territórios ocupados.

“A ocupação é um elemento dentro do conflito. Começou em 1967 [com a guerra dos Seis Dias] e é um controle militar sobre outro povo, eu chamo-lhe uma ditadura militar. Esta ditadura militar é controlada e conduzida pelos militares israelitas e Governo israelita”, frisou o director da organização de soldados israelitas veteranos que visa expor a realidade nos territórios ocupados.

“Não há dois lados na ocupação, quer dizer, há os que ocupam e os que são ocupados, mas a ocupação, ao contrário do conflito, é um projecto ilegítimo, especialmente nesta altura que não tem data para expirar”, argumentou.

Durante a sua intervenção inicial de quase 45 minutos, Avner Gvaryahu, que cumpriu o serviço militar obrigatório em Israel entre 2004 e 2007, frisou que o papel dos soldados israelitas, “a sua missão, é manter o controlo sobre os palestinianos”.

“Há muitas coisas que nós, enquanto grupo de ex-soldados, não podemos falar, não podemos representar os palestinianos, só nos representamos a nós. E não podemos falar sobre os generais de topo do exército, não sabemos o que se passa ali, não podemos falar da motivação. Mas podemos falar sobre aquilo que pediram aos soldados no terreno para fazer”, enfatizou Avner Gvaryahu.

Sobre a ocupação israelita “que vai para 54 anos”, o director executivo da Breaking the Silence frisou que na Cisjordânia “há diferentes níveis de controlo”, mas sempre subordinado a Israel, “todas estão sobre controlo israelita”, insistiu.

Na sua intervenção, Avner Gvaryahu explanou aquilo que a Breaking the Silence considera serem as “quatro pernas” ou pilares da ocupação israelita, a primeira das quais, “a prevenção, é um termo defensivo”.

“Mas como qualquer basquetebolista dirá, a melhor defesa é o ataque”, ilustrou.

A segunda ‘perna’ é a separação, ou seja, “o modo como Israel controla os palestinianos”, nomeadamente através da construção do muro com mais de 700 km.

“É um falso conceito estarem um de cada lado, nós controlamos os dois lados do muro. O muro não é só para separar israelitas de palestinianos, mas também palestinianos entre si”, advogou.

O terceiro pilar, que nomeou de tecido da vida – notando que todos os termos utilizados são termos militares – passa por “deixar os palestinianos viverem a sua vida” mas sempre sob “controlo extremo israelita”.

“Vamos deixar-vos viver as vossas vidas até decidirmos que não o podem fazer”, ironizou.

O último pilar do controle está relacionado com os colonos israelitas que habitam os colonatos nos territórios ocupados, a “violência” que exercem e a forma como a lei é aplicada.

Avner Gvaryahu disse que não há ocupação israelita sem os militares, mas na Cisjordânia a segurança dos colonatos “é um novo braço de controlo” e os colonos “têm muitos defensores e apoio político”.

“Se é palestiniano e comete um crime, vai a um juiz militar. Um israelita vai a um sistema civil onde tem direitos. E pode ser o mesmo crime, a mesma pedra [atirada] e até podem morar na mesma rua”, sustentou.

Os apologistas da ocupação israelita, afirmou Avner Gvaryahu, defendem que o controle dos palestinianos se justifica por “razões de segurança” do Estado de Israel.

“Mas isto está distorcido, não é para nossa segurança, ‘fazemos isto porque é o nosso direito, fazemos porque queremos’”, frisou.

Há cerca de uma década na Breaking the Silence, Avner Gvaryahu foi motivado a quebrar o silêncio e a contar a sua história – como já o fizeram cerca de 1.200 ex-militares – devido a uma missão que, aquando no exército realizava “frequentemente”, e que passava por “tomar uma residência privada palestiniana e usá-la como um posto militar”.

O ex-militar nasceu e cresceu em Israel, numa cidade a meio caminho entre Jerusalém e Telavive, e nunca tinha conhecido um palestiniano até a sua unidade invadir uma dessas casas.

“A totalidade da Cisjordânia está sob controlo militar. Em qualquer país para entrar numa casa precisas de um mandado e uma razão. Mas nos territórios ocupados podes basicamente capturar uma casa porque precisas dela por razões militares”, explicou.

Inforpress/Lusa/Fim

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