Ministro do Mar diz que Cabo Verde Interilhas terá de assumir as consequências de eventual saída da Polaris do grupo

Cidade da Praia, 06 Set (Inforpress) – O ministro do Mar disse hoje que a Cabo Verde Interilhas terá que arcar com todos os prejuízos e danos se houver alguma perturbação na circulação entre as ilhas provocada pela saída da Polaris da Cabo Verde interilhas.

Abraão Vicente fez estas declarações na Ribeira Grande de Santiago, quando instado a comentar o anúncio da empresa Polaris em sair do capital da Cabo Verde Interilhas (CVI), após esta ter devolvido o navio “Interilhas” à companhia marítima de navegação Polaris por estar “demasiado velho”.

“Formalmente, a Polaris ainda é sócia da Cabo Verde Interilhas. Manifestou o desejo de sair há uns meses, logo no início em que pude assumir o Ministério do Mar. O que aconteceu agora foi a entrega por parte da Cabo Verde Interilhas, da qual eles são sócios, de um navio que pertence à Polaris, ou seja, retirou-se das linhas o navio Interilhas”, explicou.

O Governo, disse Abraão Vicente, “não deu luz verde” ao novo plano da Cabo Verde Interilhas de retirar este navio, enquanto o navio Dona Tututa não estivesse em linha.

“Isso significa que a Cabo Verde Interilhas, como empresa, terá que arcar com todos os prejuízos e os danos, também reputacionais para a própria empresa, se haver alguma perturbação na circulação entre as ilhas. Neste momento nós já temos várias reclamações de agentes económicos que precisam fazer as suas cargas circularem entre as ilhas”, acrescentou.

Ainda nas suas declarações, Abraão Vicente frisou que há um contrato de concessão de serviço público e que o Governo não vai aprovar as contas de 2021, antes de sentar com a concessionária, uma vez que as contas apresentadas pela Cabo Verde Interilhas “não batem” com as do executivo.

“Temos um longo processo, não só de revisão do contrato de concessão, mas de total compreensão daquilo que é um contrato de serviço público. O Estado só assinou um contrato de prestação de serviço público nas linhas de transporte marítimas porque acreditamos que a empresa que saísse vencedora também estaria disposta a fazer os investimentos necessários para poder receber a compensação indemnizatória correspondente”, disse.

Abraão Vicente afirmou ainda que, desde que assumiu a tutela do Ministério do Mar, a sua equipa tem tentado fazer um esforço de cooperação, porque não é só pagar as indemnizações e as contas que são apresentadas, mas também “fazer a competente validação”.

“A comissão de acompanhamento da concessão está a fazer estas avaliações. Recebi de manhã, mas ainda não tive tempo de trabalhar a fundo, o dossiê da comissão de acompanhamento, que recomenda, claramente, por enquanto, a não aprovação das contas de 2021, o não pagamento do valor que é reivindicado pelo Cabo Verde Interilhas”, contou.

O ministro disse também ser do interesse do primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva, e do Governo de Cabo Verde, que haja uma solução clara, pelo que se vai pedir uma reunião com a Polaris para perceber se mantêm a intenção de sair da conceção de Cabo Verde Interilhas.

“É de recordar que o contrato de concessão também é claro em dizer que os sócios da Cabo Verde Interilhas não podem ter uma autorização para trabalharem e concorrência com a Cabo Verde Interilhas”, recordou.

GSF/CP

Inforpress/Fim

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