Ministro da Saúde alerta para “mudança efectiva de paradigma” rumo à gestão de riscos de desastres

Mindelo, 21 Jul (Inforpress) – O ministro da Saúde considerou hoje, no Mindelo, que Cabo Verde necessita caminhar para uma “mudança efectiva de paradigma”, capaz de fazer transitar o País da gestão de desastres para a gestão dos riscos de desastres.

Arlindo do Rosário discursava na Academia Jotamont no primeiro Encontro Técnico de Excepção e Catástrofe, que durou uma semana, no Hospital Baptista de Sousa, em que se discutiu as “boas práticas consensualizadas a nível nacional e internacional” sobre o planeamento e actuação multidisciplinar, multissectorial e transversal, em diferentes cenários de crise, de excepção e de catástrofes e potencialmente geradores de multivítimas.

É que, segundo o ministro, é preciso continuar a reforçar a governação dos riscos de desastres, “primeiro e imprescindível passo”, embora Cabo Verde tenha feito, sublinhou, “esforços e investimentos notáveis” para melhorar o seu quadro político e legislativo, visando um quadro legal “efectivo, integrador, sistemático e transversal”, para gerir riscos, prevenir os desastres, minimizar os danos e perdas associados, evitar a criação de novos riscos e salvar vidas.

O governante sublinhou que é necessário estar ciente de que os riscos de desastres e a ocorrência de situações de excepção são uma “questão de desenvolvimento”, pelo que a sua redução constitui um “requisito importante” para um desenvolvimento sustentável.

Reconheceu que o País, à semelhança de outros pequenos estados insulares, arquipelágico, de origem vulcânico, inserido numa zona climática subtropical e saheliano árido, é vulnerável a “inúmeros e potencialmente perigosos” fenómenos associados, primeiramente às mudanças climáticas como cheias-inundações, secas, incêndios florestais, erosão costeira, sismicidade, vulcanismos, e movimentos de massa.

A estes fenómenos, precisou, acrescem outros perigos tecnológicos como, enumerou, acidentes industriais, incêndios urbanos e industriais, acidentes de transporte marítimo, aéreo ou terrestre, como ainda as crises sanitárias, epidemias e pandemias, ou os biológicos e químicos, entre outros.

A tudo isso, continuou, deve-se juntar as vulnerabilidades físicas, sociais, económicas e fiscais inerentes ao estado de desenvolvimento de Cabo Verde para fazer frente aos riscos de desastres.

Daí, “a necessidade de cada vez mais focarmos a nossa atenção e os nossos esforços no fortalecimento da capacidade dos sistemas, das instituições e da sociedade cabo-verdiana, para, primeiramente e onde for possível, prevenirmos situações extremas”.

Neste ponto, assinalou Arlindo do Rosário, “um dos aspectos fundamentais” é ter a capacidade de responder “cada vez mais e da melhor forma possível” aos diferentes cenários no terreno, daí a necessidade de melhorar as competências técnicas e actualizar os conhecimentos dos intervenientes operacionais, de forma “permanente e continuada”.

É ainda preciso, aludiu, a criação de organismos próprios e elaborados ou actualizados instrumentos e planos de gestão de crises como uma extensão à legislação estabelecida para resposta a emergências, como planos operacionais de gestão de crises, de emergência nacional de proteção civil, de contingência e emergência municipais e de comunicação de emergência nacionais e comunitários, para além de manuais específicos para situações de exceção crise e catástrofe, entre outros.

“Que este primeiro encontro técnico, multidisciplinar e intersectorial seja bem-sucedido e o primeiro de muitos, e que culminem resultados de excelência concretos, rumo à implementação efectiva de uma resposta cada vez melhor e de maior qualidade na gestão dos riscos e das situações de exceção e catástrofe”, concluiu o titular da pasta da Saúde.

Por seu lado, a directora do Hospital Baptista de Sousa, Ana Brito, anfitriã do encontro, destacou a importância do evento já que o mesmo vai produzir não só um plano de catástrofes multivítimas para acidentes externos, como um outro plano interno do hospital.

“Os acidentes tipo catástrofes são imprevisíveis e ainda bem que raros, mas temos a responsabilidade e o dever ético de responder quando tal sucede, até porque todos vão parar ao hospital”, sintetizou Ana Brito.

Ademais, a responsável indicou que um acontecimento destes excede as capacidades habituais do hospital, pelo que é preciso organizar-se e ter um “bom plano”, que tenha o envolvimento multissectorial, tanto dos agentes da saúde, como aeroportuários, polícias, militares, Protecção Civil e Guarda Costeira.

Ana Brito lembrou que a ilha de São Vicente, por exemplo, tem vários cenários de perigo como um aeroporto internacional, navios de carga e de passageiros, tanques de combustíveis nas redondezas da cidade e “grandes eventos” propícios a aglomerações como os festivais.

“Portanto, a solicitação é grande, a responsabilidade de todos e a organização deve ser maior ainda, pois quando temos menos recursos e mais problemas a nossa responsabilidade é de mitigar, salvar cada vida que possa ser salva”, concluiu Ana Brito.

O primeiro Encontro Técnico de Excepção e Catástrofe Encontro abrange não só a ilha de São Vicente como toda a região do Barlavento, e a formação foi ministrada por uma equipa portuguesa formada por um intensivista do Hospital Santo António do Porto e um elemento da Protecção Civil portuguesa.

AA/CP

Inforpress/Fim

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