Ministro da Cultura exorta políticos a colocarem a questão da oficialização da língua crioula na sua agenda

Cidade da Praia, 18 Fev (Inforpress)- O ministro da Cultura e das Indústrias Criativas exortou hoje os actores políticos, candidatos à próxima eleição legislativa, a introduzirem na sua agenda a questão da oficialização da língua cabo-verdiana.

Abraão Vicente falava na abertura da conferência sobre “Aprendizagem da língua cabo-verdiana e padronização da escrita”, realizada pelo IPC, em parceria com técnicos da diáspora, para comemorar o Dia Internacional da Língua Materna, que se assinala no dia 21.

Para o titular da pasta da Cultura, se tivesse havido a revisão constitucional neste mandato, tinham feito um “combate certo” para que, neste momento, o crioulo fosse língua oficial de Cabo Verde.

Esta batalha, defendeu, não pode continuar a ser feita na base de opiniões, pareceres, posicionamento individuais de um ou outro ‘expert’ ou de uma ou outra instituição.

“Sempre fui claro desde do primeiro mandato, dependesse apenas do Governo terminávamos o mandato2016-2021 com a língua cabo-verdiana como uma das línguas oficiais de Cabo Verde”, disse, aproveitando a ocasião para sugerir aos candidatos a primeiro-ministro a colocarem o crioulo na sua agenda, por ser “uma questão nacional”.

“E é por isso que temos de colocar a pressão, mas também fazer de uma das temáticas, porque não, do próximo embate eleitoral, o tipo de pergunta que os jornalistas têm de fazer aos candidatos a primeiro-ministro quais os seus projectos para a língua cabo-verdiana”, sugeriu.

Contudo, defendeu que deve haver um trabalho de “consensualização das posições”, para que no âmbito da próxima revisão da constituição, o artigo 9 seja alterado, para permitir a oficialização do crioulo.

A meia culpa pela não concretização deste facto, segundo o ministro, não deve ser só atribuída ao Ministério da Cultura e ao IPC, mas sim aos sujeitos parlamentares.

“Pelo facto de o próprio Parlamento e os agentes parlamentares não terem entendido que apesar de ter estado aberto um período de revisão constitucional, não foi introduzida na agenda parlamentar a revisão constitucional”, criticou.

Abraão Vicente aproveitou para apelar aos activistas da língua materna e às instituições que o próximo pleito eleitoral seja enriquecido com debate de influência dos partidos e dos candidatos a deputados nacionais sobre o posicionamento de cada um sobre o futuro da língua cabo-verdiana, do ponto de vista constitucional.

AM/JMV
Inforpress/Fim

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