Ministro da Cultura desafia escritores, artistas e criadores cabo-verdianos a posicionarem-se sobre o OE`2023

Cidade da Praia, 17 Out (Inforpress) – O ministro da Cultura rebateu hoje as críticas de falta de apoio à literatura e desafiou os intelectuais, escritores, artistas e criadores cabo-verdianos a estarem presentes neste momento essencial do debate do Orçamento do Estado para a cultura.

Abraão Vicente lançou este repto quando confrontado pela imprensa sobre opiniões de alguns autores sobre a falta de apoio na área literária, no âmbito da sua participação no Festival da Literatura 2022 aberta hoje na Praia, promovida pela Biblioteca Nacional.

A mais recente e polémica crítica vem do poeta cabo-verdiano, José Luiz Tavares, que reagindo à sua atribuição da bolsa Residência Literária Eça de Queiroz ,disse à Inforpress, a partir de Portugal, que são políticas culturais como essas que “não se vêem em Cabo Verde”, onde, o “investimento no livro e no apoio à criação literária têm sido nulos”.

Sem mencionar nomes, o titular da pasta da Cultura e das Indústrias Criativas afirmou que quer ver os intelectuais, os escritores, os artistas e criadores cabo-verdianos a posicionarem-se sobre o Orçamento de Estado para 2023, uma vez que o seu ministério continua a ter um orçamento abaixo de 1 por cento (%).

“Quero ver se estão contentes, acham que é o valor de acordo com o que nós merecemos como sector”, precisou, advertindo que não pode ser ele apenas a única voz a reclamar sobre isso, e que tem estado resilientes a trabalhar com aquilo que é disponibilizado pelo Estado, fazendo o melhor trabalho possível.

Abraão Vicente reconhece, entretanto, que é sempre preciso mais apoio, em qualquer país do mundo, mas que o espaço literário aqui em Cabo Verde, na Europa, nos EUA, é essencialmente empreendido por autoridades e por instituições privadas.

Contudo, segundo Abraão Vicente, o sucesso dos autores não é dado pela consagração através de apoios de Estado, mas sim visto pelo sucesso da sua obra, pelo que são as obras que consagram os autores, e não as instituições dos Estado.

“Portanto, temos que ser coerentes, todo o mundo fica em silêncio neste momento que é de debate e após a aprovação todo o mundo apresenta projectos, só que nós temos um recurso limitado, e mais, para mim é sempre dramático ver que quem critica às vezes só vê a sua área”, disse.

Segundo acrescentou, os mesmos não percebem que pela primeira vez na história de Cabo Verde há um Ministério da Cultura que está pelo menos a tentar tocar todas as áreas, do patrimônio às artes plásticas, do ensino artístico à Biblioteca Nacional.

O ministro diz entender que as críticas são salutares, e por isso toma nota, uma vez que, sublinhou, lê absolutamente tudo o que é publicado.

Para o governante, as críticas, algumas merecem respostas, outras não merecem respostas, porque segundo disse “não têm fundamento, porque são incoerentes, porque fazem parte de uma agenda que não é uma agenda de defesa nem de Cabo Verde nem de um plano nacional para nenhum desses sectores”.

“Mas o ministro tem sido alvo de ataque sistemático de algumas figuras, não porque essas figuras defendem os sectores de que falam, mas porque defendem práticas antigas onde recebiam subsídios continuados por parte do Estado, sem transparência e sem uma verificação por parte daquilo que a contabilidade pública é necessária quando se faz política”, justificou.

Entretanto, Abraão Vicente diz estar absolutamente tranquilo, assim como a Biblioteca Nacional também está tranquila, pelo que, declarou que quem vive de ganhar prémios literários ou de concorrer para prémios literários e pensa que a política para o livro, para a literatura deve ser promover mais prémios literários, estão equivocados.

ET/ZS

Inforpress/Fim

Facebook
Twitter
  • Galeria de Fotos