Search
Generic filters
Exact matches only
Search in title
Search in content
Search in excerpt
Filter by Categories
Politica
Desporto
Economia
Sociedade
Ambiente
Cooperação
Cultura
Internacional
Destaques
Eleições

Ministro considera Acordo de Livre Comércio em África importante para estratégia de desenvolvimento de Cabo Verde (c/áudio)

Cidade da Praia, 15 Jan (Inforpress) – O ministro da Indústria, Comércio e Energia, Alexandre Monteiro, disse hoje que o Acordo de Livre Comércio Continental Africano (ALCCA), que cria o mercado único africano, é um acordo importante para a estratégia de desenvolvimento de Cabo Verde.

O governante, que falava entrevista à Inforpress, admitiu que no cenário actual, com a produção que o país tem actualmente, as vantagens desse acordo continental, que entrou em vigor no dia 01 de Janeiro, podem ser nulas, já que o fluxo comercial praticamente não existe.

Contudo, indicou que não se pode medir o impacto de um acordo só na realidade hoje, mas com foco nas oportunidades futuras.

Para já, indicou que Cabo Verde ambiciona ser uma plataforma comercial e industrial no Atlântico Médio no horizonte de 2030, e para a implementação dessa estratégia de desenvolvimento é fundamental o acesso ao mercado.

“Estarmos integrados no grande mercado como é o mercado africano representa um benefício importante na própria estratégia de desenvolvimento do país. Hoje o investidor que queira fazer o seu investimento em Cabo Verde vê não só o mercado cabo-verdiano ou da CEDEAO, mas o mercado continental”, disse.

Alexandre Monteiro frisou que Cabo Verde já tem alguma experiência de exportação, embora irrelevante para o continente, mas que pode ser potenciada com esse acordo, abrindo-se para mais mercados.

“Já existem exportações, nomeadamente a nível de produtos alimentares, temos experiência também a nível de produtos farmacêuticos para alguns países e podemos alargar esse mercado”, disse.

Para além de alargamento do mercado, o ministro cabo-verdiano vê nesse acordo as possibilidades de atracção de investimentos estrangeiros, contribuindo para uma mudança da realidade industrial de hoje e na densificação do tecido empresarial cabo-verdiano.

“Quando digo intensificação do tecido empresarial nacional estamos a referir a micro, pequenas e grandes empresas. Isto tudo através da possibilidade de integrar na cadeia de produção industrial regional, que é uma outra oportunidade que esse mercado de zona de livre comércio continental africano proporciona”, sustentou.

Neste sentido, adiantou Alexandre Monteiro que inclusive já há manifestações de interesse de investidores nacionais e a nível regional que querem instalar-se em Cabo Verde para produzir e colocar os produtos no mercado africano.

“Essas são as vantagens de Cabo Verde de estar inserido no mercado maior, o que acaba por contribuir para a eliminação um dos grandes obstáculos de desenvolvimento industrial que tem a ver com o factor escala, que é a dimensão do mercado”, disse.

O mercado continental, além do comércio de bens, inclui também o comércio de serviços e questões também relacionadas com investimentos, propriedade intelectual e política de concorrência que são instrumentos importantes e cujas negociações não foram concluídas, conforme indicou o governante.

Cabo Verde assinou e ratificou o acordo que entrou em vigor no dia 01 de Janeiro, criando ainda o quadro institucional que permite a sua efectivação.

O acordo pretende liberalizar o comércio no continente e tem como objectivo eliminar as tarifas aduaneiras em 90 por cento (%) dos produtos.

Entretanto, Alexandre Monteiro explicou que para a sua efectivação não basta o quadro institucional já criado, existindo a necessidade de também serem desenvolvidas sobretudo infra-estruturas de transportes e outras logísticas de actividade empresarial desde a área de comunicação, energia, serviço jurídico e outras.

“Portanto, há a necessidade também a nível de continente de desenvolvermos e criarmos essas condições para efectivação do acordo. Portanto, há muito trabalho ainda que carece de ser desenvolvido. O importante é que existe engajamento, existe interesse da parte dos países e projectos em curso para criar essas condições, assim como eliminar outras barreiras de natureza não aduaneira que também hoje influenciam e incrementam as trocas”, salientou.

O acordo permitirá a criação do maior mercado do mundo com um Produto Interno Bruto (PIB) acumulado a ascender a 2,5 biliões de dólares (cerca de dois biliões de euros), de acordo com estimativas anteriores à pandemia de covid-19.

MJB/CP

Inforpress/fim

Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
  • Galeria de Fotos