México quer ir à raiz do problema das migrações na América Latina – embaixador

Lisboa, 11 Nov (Inforpress) – O México deve dar “apoio solidário e atenção a qualquer migrante que passe pelo território mexicano” e que o problema dos fluxos migratórios deverá ser analisado de raiz, disse à Lusa o embaixador mexicano em Portugal, Alfredo Pérez Bravo.

Numa altura em que o México é atravessado por milhares de migrantes, a maioria hondurenhos, rumo aos Estados Unidos, o embaixador afirmou à agência Lusa que o tema da migração “é fundamental para o México”, porque é ele mesmo “um país de migrantes” e que a América Central vai ser uma das prioridades da política externa mexicana.

Cerca de 5.500 migrantes, que partiram das Honduras a 13 de Outubro em direcção aos Estados Unidos, chegaram esta semana à Cidade do México, sendo a maioria migrantes hondurenhos, mas também da Guatemala, Nicarágua, El Salvador, Panamá e Costa Rica, segundo a Comissão de Direitos Humanos daquele país.

Esta vaga de migrantes movimenta-se numa altura de transição política no México, com a saída do Presidente Enrique Peña Nieto e a tomada de posse no sucessor, Andrés Manuel López Obrador, que venceu as eleições presidenciais em Julho e toma posse no início de Dezembro.

“A intenção do novo governo do México é de atender aos problemas de raiz: o que é que causa estes fluxos migratórios? Falta de condições de vida, falta e oportunidades de trabalho, insegurança, violência, nos países centro-americanos”, disse o embaixador mexicano em Portugal.

Segundo Pérez Bravo, a “proposta do próximo governo é desenvolver planos económicos e sociais que permitam a esses países um maior e mais rápido desenvolvimento económico, para que gere emprego e para que as pessoas não sejam obrigadas a sair dos países”.

“No caso das caravanas de migrantes, o México tem uma política muito clara: Primeiro é dar todo o apoio solidário e atenção a qualquer migrante que passe pelo território mexicano. Tratamos como qualquer país; é ter um controlo sobre os fluxos migratórios e a entrada em território tem de ser feito por pessoas devidamente registadas e identificadas na fronteira. Não temos uma política de detenção. Se alguma pessoa quer entrar no México e cumpre com os requisitos, é bem-vindo”.

A maioria dos migrantes da América Central que chegam à Cidade do México está determinada a entrar nos Estados Unidos apesar das ameaças do Presidente Donald Trump, que prometeu impedi-los de entrar no país e enviou cerca de 4.800 militares para a fronteira.

Entretanto, Donald Trump recorreu sexta-feira aos poderes extraordinários de segurança nacional para rejeitar o direito de asilo aos migrantes que entrem ilegalmente no país.

A medida instala um conjunto de regulamentos aprovados na quinta-feira e que contradiz as leis que estabeleciam a possibilidade de obtenção de asilo, independentemente da forma como os requerentes tenham entrado no país.

Responsáveis da administração da Casa Branca citados pela agência Associated Press (AP) referiram que as medidas, que podem enfrentar processos legais, entram hoje em vigor por pelo menos três meses, e não abrangem as pessoas que já se encontram no país.

Para escapar da pobreza ou da violência de gangues criminosos, mais de meio milhão de centro-americanos cruzam todos os anos o México na esperança de entrar nos Estados Unidos.

Lusa/Inforpress

Fim

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