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Martine Blanchard apresenta hoje livro com testemunhos de mulheres cabo-verdianas emigrantes em França

Cidade da Praia, 05 Abr (Inforpress) – A antiga conselheira do ensino do francês em Cabo Verde, Martine Blanchard, apresenta hoje, na Cidade da Praia, o seu mais recente trabalho, um livro de testemunhos de oito mulheres cabo-verdianas emigradas em França.

“Celles qui partent pour une terre lointaine” (aquelas que partiram para uma terra distante) é o título da obra que, conforme explicou a autora em declarações à Inforpress, é uma espécie de “gratidão e homenagem” à “coragem” das mulheres cabo-verdianas de um modo geral e, em especial e a título póstumo, à sua ex-empregada doméstica, pessoa que conheceu e desenvolveu relações de confiança e amizade durante a sua estada em Cabo Verde em missão de serviço, de 1980 a 1990.

Porfica de Várzia ou Germana, a empregada doméstica em apreço, que mereceu uma dedicatória de capa por parte da autora do livro, já falecida há vários anos, teve uma influência “muito grande” no seu bairro, a Várzea de Companhia, na Cidade da Praia, exactamente por causa da sua dinâmica enquanto mulher batalhadora a nível profissional, mas também pela sua participação nas causas sociais e culturais, tendo sido membro da Tabanca di Várzia e uma das grandes animadoras das festas locais do Carnaval.

Conforme escreve Martine Blanchard no prólogo deste seu livro, que será apresentado hoje às 18:00 na Biblioteca Nacional, pelo sociólogo César Monteiro e a politóloga Roselma Évora, a origem deste trabalho que lhe deu “o gozo de editar”, está “sem dúvida” na Cidade da Praia, onde teve “a sorte” de se cruzar com a sua empregada Germana que lhe “contagiou” com as suas histórias da “dureza da vida” que tinha experimentado, com começo ainda na adolescência.

É que Germana, conforme escreve Martine Blanchard, tinha deixado Cabo Verde com a idade de 12 anos, em companhia de seu pai rumo ao “exílio forçado em São Tomé” onde, por ter sido rebelde “repelindo os avanços do patrão” no seio da família onde foi colocada, como forma de represália teve de se sujeitar ao trabalho duro das plantações de cacau nas roças daquele arquipélago vizinho do Equador, experimentando “condições de vida próximas de escravatura”, sublinha.

Segundo a escritora, Germana acabou por regressar a Cabo Verde, mas antes de se fixar de vez no arquipélago, ainda teve a coragem de se aventurar mais uma vez na emigração, desta feita em Portugal, onde foi invadida pela solidão nos primeiros anos.

Entretanto, na sua entrevista à Inforpress, Martine Blanchard explicou que por tudo isso e ainda mais pelo facto de ter sido “contagiada” por essas histórias, por vezes recheadas de recordações “dolorosas”, mas contadas com “muita vivacidade e cheio de paixão”, se propôs em calendarizar uma entrevista com a sua interlocutora a pensar num livro, ideia que infelizmente não se concretizou, pois, mais tarde recebeu com “profunda tristeza” a notícia da morte da sua ex-empregada.

Contudo, explicou que, estribando-se sempre nessa ideia, resolveu sair para o terreno para fazer esse trabalho com outras mulheres, porquanto a história da emigração à volta das mulheres cabo-verdianas tem sempre “muito de comum”.

Assim, meteu “mãos à obra” entrevistando oito mulheres cabo-verdianas emigradas em França que, conforme disse, contaram-lhe as suas histórias desde a infância em Cabo Verde até as suas vidas actuais na região parisiense.

“A maior parte delas partiram sozinhas. Elas se lançaram no desconhecido levando consigo a dor da separação com os seus familiares e filhos para se confrontarem com a dureza de um mundo diferente com a convicção firme de alcançar os objectivos que perseguiam, isto é, a sua independência (…)”, explica.

Mesmo a concluir a entrevista, já em jeito de rodapé, enfatizou: “Germana foi uma mulher possante, uma mulher experiente e uma mãe corajosa”.

FP/AA

Inforpress/Fim

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