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Manuel Faustino considera que o 25 de Abril é um “marco indelével” para ex-colónias portuguesas (c/áudio)

Cidade da Praia, 25 Abr (Inforpress) – Manuel Faustino considera que o 25 de Abril é um “marco indelével” para a geração que, como ele, o viveu, assim como as ex-colónias portuguesas e, também, para o mundo porque representou a derrocada de um regime fascista.

Este antigo activista do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) na clandestinidade, em Lisboa (Portugal) tinha acabado de concluir a sua licenciatura em Medicina, quando se deu o 25 de Abril, conhecido por “Revolução dos Cravos”, que, segundo ele, significou também a queda do último império colonial.

Em declarações à Inforpress, por ocasião desta efeméride, disse que se trata de um marco que contribuiu fundamentalmente para “mudanças radicais” na vida dos países outrora colonizados por Portugal, em termos de liberdade e solidariedade.

“Para mim, talvez, é um dos marcos mais importantes na minha vida”, indicou Manuel Faustino, considerando, porém, que simbolicamente a independência de Cabo Verde é “muito maior”.

Na sua perspectiva, depois do 25 de Abril, as independências das antigas colónias se tornaram “algo previsível”.

“Teoricamente, a gente sabia que um dia o regime (de Salazar) ia cair, mas vê-lo a cair e estar lá e vivenciá-lo é qualquer coisa indescritível”, assegurou o jovem médico de então, que estava a aguardar o resultado do concurso que fez para a especialidade, ao mesmo tempo que actuava na clandestinidade como um dos responsáveis do PAIGC, em articulação com a “esquerda portuguesa e com os movimentos anti-fascistas”.

Ainda guarda na memória a euforia vivida quando os chamados Capitães de Abril decidiram depor o antigo regime português.

“Foram quatro dias que, praticamente, a gente não dormia. Era uma euforia. Eram milhares e milhares de pessoas na rua e também de militares”, precisa, lembrando a tomada da PIDE-DGS (Polícia Política de altura).

Na altura, prossegue, registaram-se “manifestações profundas” contra a guerra colonial, assim como confraternização com os militares.

“Na época, uma das palavras de ordem mais populares que se ouviam era: “Independência já” e ‘Nem mais um só soldado para as colónias’”, lembra Manuel Faustino.

Instado se foi o 25 de Abril que fez acelerar as independências das antigas colónias portuguesas ou se foram as lutas armadas desencadeadas na Guiné-Bissau, Angola e Moçambique que contribuíram para a Revolução dos Cravos, Manuel Faustino respondeu nesses termos:

“As duas coisas. Não tem como separá-las. Uma das razões que levaram ao enfraquecimento do regime era o facto de este ter que fazer frente a três guerras e uma situação que tinha custos humanos em materiais importantes. Além disso, Portugal estava politicamente isolado. As universidades estavam extremamente politizadas”.

Para ele, não foi por acaso que boa parte dos movimentos tivessem nascido de oficiais milicianos que tinham saído das universidades e foram incorporados compulsivamente nos serviços militares obrigatórios e estavam nas ex-colónias.

“São pessoas que já tinham uma ideia que a guerra colonial tinha que terminar e que as independências eram inevitáveis. São essas pessoas que, adquirindo essa consciência, em decorrência dos movimentos de libertação e da politização que isto trouxe às universidades portuguesas, onde estávamos, que levou a que o 25 de Abril acontecesse e o processo de libertação se acelerasse”, pontuou Manuel Faustino, que integrou o primeiro Governo de Cabo Verde independente, concluiu.

Para o então jovem activista, num primeiro momento não lhe pareceu que a Revolução do 25 de Abril pudesse reverter-se, mas sim, diz ele, nos momentos subsequentes. chegou a recear.

“A partir de um certo momento aparece uma figura que começa a dominar o cenário político português, que era o general António Spínola, que tinha ideias completamente diferentes. Algum tempo antes, ele tinha publicado um livro famoso na época “Portugal e o futuro” que era uma tese de autonomia e não da independência”, explica o actual chefe da Casa Civil da Presidência da República.

Segundo ele, de repente, Spínola começa a ganhar uma certa “preponderância política”, regimentando a direita portuguesa, tanto militar como política “e, a dado momento, as coisas começaram a ficar um pouco tremidas”.

Lembra-se ainda do 11 de Março de 1975 em que se registaram situações “muito difíceis”.

“Logo a seguir ao 25 de Abril, quando entra o Spínola, e em outros momentos subsequentes, não se teve tanta clareza que o processo fosse irreversível, mas, felizmente, acabou sendo”, realçou Manuel Faustino.


LC/FP

Inforpress/Fim

 

 

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