Manifestação: Moradores do Casa Para Todos acusam CMP de os obrigar a alterar contrato de 10 anos que assinaram com IFH

Cidade da Praia, 26 Abr (Inforpress) – Moradores dos complexos habitacionais Casa Para Todos manifestaram-se hoje junto à Assembleia Nacional contra a Câmara Municipal da Praia” que dizem, “querer impor-lhes” a alteração do contrato de 10 anos que assinaram com a IFH.

Em declarações à Inforpress os moradores dizem-se revoltados porque a Câmara Municipal da Praia, que agora detém a gestão dos apartamentos Classe A do complexo Casa Para Todos, “quer obrigar-lhes” a assinar um novo contrato de dois em dois anos, preterindo o antigo contrato de 10 anos que assinaram com a Imobiliária, Fundiária e Habitat (IFH) quando receberam os apartamentos.

Fernando Jorge, morador no complexo Casa Para Todos na zona de Tira Chapéu, afirmou que este novo contrato é lesivo porque vão pagar e nunca terão a posse legal dos respectivos apartamentos.

“Moro num T3. Foi acordado com a IFH por um preço de 4.050 contos. Eles explicaram-me que o contrato de 10 em 10 anos era para evitar estarmos sempre a ir à IFH para assinar contrato, mas que passados 50 ou 60 anos a habitação seria minha. Neste novo regime da Câmara Municipal pagaremos até morrer e nunca mais a habitação será nossa. Estamos a ser enganados”, contestou Fernando Jorge.

O mesmo critica também a Câmara Municipal e a IFH por não assumirem os custos de reparação das moradias que constantemente precisam de novas obras.

“Somos rendeiros e não compramos as casas. Se eles não pagam os danos nas habitações nós como rendeiros temos que pagar a reparação todos os meses,” acrescentou garantindo que não está de acordo com o novo contrato e não vai assiná-lo.

Na mesa linha, também estiveram Viviane Santos, moradora do complexo em Ponta D´Água e Silvino Monteiro Silva, que reside nos blocos de Achada Grande Traz e que receberam as suas casas em 2014. Viviane Santos afirma que trabalha como vendedeira de bananas para sustentar os seis filhos e não consegue pagar mais do que os 2.400 escudos do que paga actualmente por isso não vai assinar o contrato.

“Eu já assinei o contrato desde há 4 anos. Agora estão a telefonar a pressionar-me para assinar um novo de dois em dois anos. Disseram-me que se não pagarmos o aluguer neste novo modelo vamos ser despejados,” declarou Viviane Santos que diz não se interessar com a degradação das casas porque antes não tinha aonde morar.

Silvino Monteiro Silva também está contra a assinatura de um novo com a Câmara Municipal da Praia. “Dissera-me para assinar e já falei com o advogado e ele aconselhou-me a não assinar. Eles dizem que se não assinarmos o contrato com vão lá com a polícia e nos colocam na rua. Quando assinamos com a IFH não assinamos com a polícia”, contestou o sexagenário afirmando que recebe 9 mil escudos por mês e não consegue pagar um valor maior do que paga neste momento.

CD/FP

Inforpress/Fim

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