Mais de 40% dos vigilantes ainda não beneficia da nova grelha salarial – sindicatos acusam governo

Cidade da Praia, 30 Dez (Inforpress) – O SISCAP e o SIAP denunciaram hoje que mais de 40 por cento (%) dos vigilantes ainda não beneficia da nova grelha salarial devido ao incumprimento do acordo por parte de empresas privadas e instituições do Estado.

Em conferência de imprensa, na Cidade da Praia, o presidente do Sindicato da Indústria, Serviços, Comércio, Agricultura e Pesca (SISCAP), Eliseu Tavares, solidarizou-se com a greve dos vigilantes realizada hoje e denunciou o incumprimento do preço indicativo de referência (PIR), acordada para melhorar a grelha salarial dos vigilantes, estabelecido e publicado no Boletim Oficial (BO nº 162 II Série de 09 de Novembro de 2020).

“Até o presente momento, ainda uma percentagem muito significativa de vigilantes não viu os seus salários melhorados de facto. Houve abertura da parte do Governo e das empresas, reconheceram a situação precária dos vigilantes. Mas só admitir e reconhecer não chegam”, indicou.

Segundo Eliseu Tavares algumas empresas têm-se esforçado para implementar a grelha salarial aprovada, e alguns já atingiram 70 porcento de implementação efectiva, mas há registo de algumas situações “graves que estão a prejudicar esta efectiva implementação”.

“Algumas empresas do Estado ainda não aderiram ao processo do PIR para que os vigilantes possam receber os seus salários conforme a grelha salarial. O Ministério das Finanças ainda não cumpre e não paga conforme indicações”, denunciou.

Eliseu Tavares, sublinhou que a Direcção-Geral do Património e da Contratação Pública enviou uma circular a orientar todas as estruturas do Estado a cumprirem e a aderirem ao PIR.

“É óbvio que se nem o próprio Estado aderiu e nem cumpre, as empresas de segurança privadas terão maiores dificuldades em fazer com que os clientes do sector privado e particulares adiram ao processo e passem a pagar conforme o PIR”, sustentou.

O presidente do SISCAP insiste ainda que é preciso que o próprio Governo, a Direcção-Geral do Trabalho e a ANESP se debrucem com “maior vigor” e assertividade sobre a questão da “concorrência desleal que continua a perigar a estabilidade” do sector da segurança privada.

“Não podemos deixar de fora o comportamento responsável de gestores de algumas empresas de segurança privada, que continuam a promover uma concorrência desleal e ilegal, oferecendo preços abaixo do estipulado, o que contribui para que a situação precária dos vigilantes se mantenha”, sublinhou.

ES/HF

Inforpress/fim

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