Maio: Oposição exorta o Governo a criar um plano de emergência “urgente” para fazer face a mais um mau ano agrícola

Porto Inglês, 18 Out (Inforpress) – A bancada municipal da Onda Independente para Avanço do Maio (oposição) disse estar “preocupada” com a situação reinante na ilha, e exorta o Governo a criar um plano de emergência “urgente” para debelar mais um mau ano agrícola.

Em conversa com a Inforpress, o líder da bancada da oposição na assembleia municipal, António Ramos, assegurou que a situação reinante na ilha é “preocupante” e vem se repetindo nos últimos anos, lembrando que nos anos de seca joga-se na prevenção e não esperando que o pior aconteça para depois tomar medidas para evitar esta tragédia.

“Nos anos anteriores também assistimos à morte de centenas de animais que poderiam perfeitamente ser evitadas, caso medidas pertinentes tivessem sido tomadas no momento”, referiu, lembrando que a OIAM foi a primeira força política a denunciar a situação dramática por que estavam a atravessar os criadores de gado.

“Mas infelizmente fomos ignorados tanto pelo Governo como pela Delegação local do Ministério da Agricultura e também pela câmara municipal”, salientou, lembrando que “foi preciso o presidente da Assembleia Nacional que esteve de visita à ilha lançar um apelo de desespero para que as autoridades tanto locais como centrais tomassem consciência da gravidade da situação e mandassem colocar em prática o tal programa de mitigação do mau ano agrícola”.

No entanto, considerou que na ilha do Maio este programa não tem tido o efeito desejado, “porque não contribuiu em quase nada para evitar a mortandade dos animais, tanto devido a insuficiência das rações, por causa de má coordenação na sua importação e distribuição como pelo método de aquisição através dos famosos vale-cheques que praticamente não foram adquiridos por causa do seu preço exorbitante”.

O líder da oposição na assembleia municipal disse que a Delegação do Ministério da Agricultura na ilha viu agora a sua atribuição delegada à Câmara Municipal do Maio, que, por sua vez, se mostra incapaz de dar resposta ao salvamento dos animais, aliás afiançou que criadores de gado já deram sinais de descontentamento face a rupturas de stock de ração na ilha.

“Esperemos que este alerta dos homens do campo seja suficiente para sensibilizar as autoridades locais e centrais, no sentido de colocarem em prática o programa de mitigação do mau ano agrícola, o mais breve possível, com vista ao salvamento dos poucos animais que ainda restam nesta ilha”, exortou António Ramos.

Um outro aspecto que vem preocupando a oposição é o atraso no arranque de algumas obras que foram lançadas pelo Governo, quais sejam o lançamento da obra de requalificação do porto do Maio, que, conforme avançou, a situação continua ainda na mesma, sem que nenhuma pedra fosse movida, salientando que assistiram com “pompas e circunstância” o acto de lançamento em que o primeiro-ministro garantiu que as obras já podem ser consideradas iniciadas.

O mesmo se estende com as obras de requalificação da igreja matriz e a capela de Morrinho, cujo lançamento das primeiras pedras foi feito no dia 07 de Setembro, mas passado mais de um mês a situação também continua na mesma, embora na altura ficou firmado entre as partes o compromisso de que a partir daquele momento iniciava-se a contagem do tempo.

Com todo este cenário e com a diminuição dos voos às quartas-feiras, o líder da bancada da oposição questiona o autarca maiense Miguel Rosa sobre “onde e quando foram criados os mais de 800 postos de trabalho, porque o programa PRAA na ilha do Maio já está na sua reta final e os jovens continuem no desemprego, razão pela qual muitos estão a deixar a ilha”.

WN/ZS

Inforpress/Fim

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