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Maio: Mulheres de Alcatraz apostam no “tratamento de búzios” para driblar o desemprego

Porto Inglês, 17 Dez (Inforpress) – As mulheres da localidade de Alcatraz, na ilha do Maio, encontraram no tratamento de búzios uma alternativa para driblarem o desemprego e aumentarem a renda das famílias.

Em declarações à Inforpress, a porta-voz do grupo de mulheres/chefes de família da localidade de Alcatraz, Alvina Freire, elucidou que a opção por este trabalho, que já adoptaram como profissão há mais de 20 anos, deve-se ao facto de muitas estrarem desempregadas e sem alternativas para garantirem o sustento da família.

Ela própria, como contou à Inforpress, faz esse trabalho há mais de 20 anos e afirma que já se acostumou com o forte sol que se faz sentir durante o processo de tratamento de búzios e que esta ocupação lhe tem ajudado nas despesas domésticas.

“Como sabem, no Maio as alternativas do emprego não são muitas, trabalhamos quando aparece e para driblar o desemprego as mulheres começaram a vir cá lavar búzios”, disse Alvina Freire, explicando que “todos os dias das 13:00 às 15:00, excepto nos períodos de chuva em que não há condições, estamos aqui a fazer o nosso trabalho”.

Conforme conta, as mulheres “tratadoras de búzios” estão divididas em quatro grupos e, dependendo da quantidade de búzios, após o regresso dos mergulhadores fazem o tratamento e depois a divisão, ficando cada uma com a sua parte que depois será vendida.

As receitas arrecadas não são muitas, mas segundo Alvina Freire, têm ajudado muitas mulheres durante todos esses anos, realçando que os jovens, por falta de alternativas, têm-se juntado a elas, igualmente à procura de algum sustento.

“Não é um trabalho cansativo, já estamos acostumadas com esta rotina, até porque é o nosso ganha-pão e para muitas mulheres isso tem sido o único sustento da família”, admite Alvina Freire, que gostaria de ter um trabalho que lhe proporcionasse mais garantias, mas como não é possível, têm feito este trabalho.

“As cascas que são retiradas dos búzios têm servido para enfeitar os canteiros e de ‘souvenir’ para os turistas que visitam a localidade”, explicou a porta-voz do grupo de mulheres de Alcatraz.

Segundo Alvina Freire, o tratamento de búzios é um trabalho que, no fundo, simboliza um pouco daquilo que é ser uma mulher cabo-verdiana, que é uma mulher batalhadora e que está sempre à procura do sustento de sua família e de proporcionar um futuro melhor aos seus filhos.

Questionada sobre qual a sua opinião acerca do processo de desenvolvimento do Maio, disse que a ilha está a começar a entrar no ritmo de desenvolvimento, registando-se melhorias na saúde, na educação, embora o ritmo não esteja ao nível desejado uma vez que ainda existem localidades que necessitam da intervenção municipal.

“A nossa zona, por exemplo, precisa de muita coisa, como calcetamento, até porque quando temos as obras de requalificação, temos as pessoas a trabalhar e isso ajuda bastante”, disse Alvina Freire, que, conforme disse, “gostaria de apelar às entidades responsáveis que adoptem medidas que gerem mais empregos principalmente para a camada juvenil que está sem nenhuma alternativa”.

CM/CP

Inforpress/Fim

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