Maio: Fundação Maio Biodiversidade ultima preparativos para campanha de protecção das tartarugas

Porto Inglês, 15 Jun (Inforpress) – A Fundação Maio Biodiversidade (FMB) ultima os preparativos para o arranque da campanha de protecção das tartarugas, marcado para 30 de Junho, que prevê ser diferente dos anos anteriores, visto que se depara com diminuição no seu orçamento.

Esta informação foi dada à Inforpress pelo coordenador da patrulha Jairson da Veiga, salientando que as dificuldades já eram previstas, uma vez que um dos seus maiores parceiros nesta causa, a MAVA, já tinha manifestado a sua retirada, tendo em conta que chegou ao fim o protocolo que existia com esta fundação.

Conforme avançou, tanto os guardas como os líderes de equipa já estão a ser capacitados para poderem fazer o trabalho nas comunidades, bem como toda a recolha de dados biométricos, pelo que estão a contar com a participação de jovens locais e de alguns que vieram de outras ilhas.

“O objectivo é fazer as pessoas da ilha do Maio reconhecerem a importância da protecção das tartarugas e serem elas mesmas a tomar conta desta acção e deste recurso natural”, destacou, lembrando que cada vez os recursos estão a diminuir, pelo que a FMB sozinha não vai poder fazer tudo.

Jairson da Veiga realçou, por outro lado, que, apesar de nos últimos anos ter havido aumento de nidificação, a espécie careta-careta ainda é considerada em risco de extinção. Além disso, é tida como um património do país e que pode trazer grandes benefícios se as pessoas não continuarem com o acto de apanha, que “ainda é considerável”.

O coordenador da patrulha disse ainda que o objectivo da FMB, assim como da MAVA, um dos maiores financiadores desta campanha, é que a uma dada altura as comunidades passassem a assumir a responsabilidade. Por isso, com a sua retirada este ano vão contar com menos pessoas contratadas para fazerem este tipo de trabalho, algo que considerou “desafiante”, mas que se mostra convicto de que vai haver a colaboração de voluntários locais.

A este propósito, Jairson da Veiga admitiu que tem havido cada vez mais sensibilização por parte das pessoas e das associações e grupos organizados que têm vindo a realizar trabalho de protecção nas praias, embora esperavam contar com maior número de voluntários engajados nesta causa.

O coordenador da patrulha da FMB salientou ainda que este ano, apesar da redução dos recursos financeiros, esperam contar com uma campanha “muito especial”, atingindo, pelo menos, o mínimo de ninhos que tem vindo a acontecer nos últimos anos.

Aliás, o desejo é voltar a bater recorde do ano passado, que foi de cerca de 50 mil ninhos, mas também que venha a ter diminuição da apanha que no ano passado foi de 176 tartaruga, abaixo dos cinco por cento.

“Estamos a contar este ano com um bom número de voluntários da Universidade de Cabo Verde e internacionais, tendo em conta o número de ninhos que temos vindo a receber nos últimos anos, o que tem despertado interesse de várias pessoas em diversos parte do mundo, para não só verem as tartarugas, mas também para conhecerem a vivência dos maienses”, contou.

Uma novidade para este ano, realçou aquele responsável, tem que ver com a utilização de ‘drones’ na campanha, o que vai lhes permitir fiscalizar as praias mais distantes.

Jairson da Veiga  informou que a FMB pretende continuar com a estratégia da construção de viveiro na praia de “Bixe Rotxa”, onde decorrem os trabalhos de ampliação e modernização do porto.

WN/CP

Inforpress/Fim

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