Maio: Fundação Maio Biodiversidade regista pela primeira vez cerca de 23 mil ninhos de tartarugas marinhas

Porto Inglês, 27 Out (Inforpress) – A Fundação Maio Biodiversidade já registou até ao momento e pela primeira vez, cerca de 23 mil ninhos de tartarugas marinhas, durante a campanha de protecção deste ano, garantiu hoje o responsável por esta área Juan Martinez.

Em declarações à Inforpress, o biológico e responsável pelos estudos científicos da Fundação Maio Biodiversidade assegurou que este é um número recorde registado por aquela ONG durante todos estes anos da campanha de protecção desta espécie.

Assim sendo, aquele biólogo disse que o resultado atingido os deixam “satisfeitos”, embora salientou que já estavam a prever atingir esta cifra, tendo em conta que os dados vem mostrando que a subpopulação da tartaruga marinha em Cabo verde está em crescimento.

Conforme afiançou, estão neste momento a finalizar o lançamento dos dados, pelo que admitiu a possibilidade deste número ser um pouco acima dos 23 mil.

De qualquer forma Juan Martinez considerou ser um “recorde histórico”, e que, caso esta tendência venha se manter, pode-se concluir que está a haver uma recuperação de número de fêmeas na colónia de tartarugas da ilha e na subpopulação de todo Cabo Verde.

“Isto pode-se explicar, por um lado, porque a mortalidade tem vindo a diminuir em diferentes níveis, por causa da diminuição do consumo da carne das tartarugas fêmeas adultas, e possivelmente, por causa da diminuição também do consumo de fêmeas juvenis, fruto dos trabalhos da protecção que vem sendo feito nos últimos anos e também do aumento da temperatura que possibilita a fertilização”, admitiu.

Juan Martinez frisou, por outro lado, que a possibilidade de estar a acontecer boas condições para fertilização das fêmeas pode ser uma boa noticia, porém salientou que isso exige alguma atenção e cautela por parte das ONG que trabalham nesta área, visto que esta condição pode estar a favorecer a feminização da subpopulação em Cabo Verde.

O biologo admite que é necessário um estudo mais pormenorizado para conhecerem melhor este facto,, lembrando que é preciso sempre um equilíbrio entre fêmeas e  machos, caso contrario poderá haver, na sua opinião, extinção da subpopulação dos machos.

Para conhecer melhor a situação real da ilha do Maio, aquele responsável frisou que a FMB está a realizar um estudo da temperatura das areias nas praias e manejo dos ninhos, por forma a constatarem que também estão a nascer os machos e fêmeas de forma equilibrada, acrescentando que estão a tentar realizar um estudo nos mares para conhecerem melhor a mobilidade das fêmeas adultas.

“É possível também conhecer a proporção dos machos adultos, assim como o número dos machos que temos nas nossas subpopulação”, informou apontando que este estudo está previsto para ser levado a cabo em parceria com uma universidade inglesa, que, conjuntamente, vão construir um dispositivo que será colocado em cada tartaruga, por forma a permitir monitorização desta espécie e as zonas preferidas das tartarugas nos mares de Cabo Verde.

Apesar dos trabalhos da FMB e dos esforços das equipas de patrulha, este ano foi registado cerca de 80 apanhas de tartarugas, um dado um pouco acima dos anos anteriores, algo que aquele técnico relaciona com a situação da pandemia que causou a vinda ao Maio de algumas pessoas das outras ilhas e por falta de emprego por algum período de tempo.

“Há um número muito significativo de apanha no alto mar por parte de pescadores que nós não podemos registar, mas temos clara noção de que vem acontecendo”, contou, lembrando que este ano contaram somente com o pessoal da ilha durante a campanha da protecção das tartarugas marinhas.

WN/CP

Inforpress/Fim

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