Maio: Escassez de matéria-prima leva a paralisação de produção de queijo na queijaria de Ribeira Don João

Porto Inglês, 15 Jun (Inforpress) – A escassez de leite está a impossibilitar a queijaria de Ribeira Don João de continuar com a produção de queijo, tendo em conta que os criadores estão a enfrentar a falta de pasto para alimentarem os seus animais.

Em conversa com a Inforpress, a representante da queijaria de Ribeira Don João, Rosalina Cardoso, assegurou que os criadores daquela localidade estão a enfrentar a falta de pasto para alimentarem os seus animais, uma vez que os gafanhotos devoraram todo o pasto que tinha nascido no campo, pelo que estão a recorrer ao milho e ração, mesmo assim não estão a ter uma boa produção de leite como antes.

Para aquela representante, era preciso também a subsidiação do milho, à semelhança do que vem acontecendo com ração animal, visto utilizarem mais milho do que ração para alimentarem os seus animais.

Com a subida generalizada de preço destes produtos, continuou, não conseguem comprar uma quantidade suficiente, uma vez que ainda não aumentaram o preço do queijo que produzem actualmente em casa.

Para além disso, acrescentou que nos últimos tempos os criadores tiveram muita perda de animal com ataques de cães no campo e mesmo nos seus currais, o que levou a diminuição do efectivo caprino, sem contar, assinalou, com o roubo por parte das pessoas, contou, lembrando que a pandemia veio trazer muitos constrangimentos às mulheres sócias da queijaria, tendo em conta que houve uma “diminuição drástica” da procura daquele produto.

“Já lá vai um ano que deixamos de produzir na queijaria, porque praticamente não conseguíamos vender o nosso produto e tivemos muito prejuízo, então decidimos parar com a produção e ficamos a fazer qualquer coisa em casa, agora nos últimos meses a procura melhorou, mas não temos leite suficiente para voltar a abrir a queijaria”, precisou.

Esclarecendo que pretendem voltar a abrir a queijaria caso houver pasto com a vinda das chuvas, salientando que antes eram 16 mulheres, mas algumas sócias deixaram de participar nas actividades da queijaria, pelo que agora somente sei continuaram a fazer parte daquela unidade de produção, que possui certificado de qualidade financiada pela União Europeia.

Lembrou ainda que antes da pandemia conseguiam abastecer o mercado local e ainda vendiam na Cidade da Praia, o que lhes permitia obter um rendimento melhor, mas que com a subida de preço de milho e ração “tudo mudou”.

Sustentou ainda que a Delegação do Ministério de Agricultura e Ambiente podia-lhes ajudar com transporte ou recolha de pasto em outros pontos da ilha, onde ainda “existe pasto abundante”.

“Precisamos também que a empresa Águas e Energias do Maio nos façam a ligação de água nos nossos currais e só da minha parte já fui várias vezes ter com o director e todas as vezes ele me prometeu que viria, mas até então nada, enquanto isso temos que comprar água auto-transportada que custa dois mil escudos e não chega para duas semanas”, criticou.

Para Rosalina Cardoso é preciso incentivar os mais jovens para esta prática, porque cada vez mais tem havido menos pessoas neste ramo.

Demonstrou todo o interesse em partilhar o seu conhecimento com os mais jovens, admitindo também a necessidade de haver intercâmbios com produtores de outras ilhas para troca de experiência.

Conforme avançou, no inicio de funcionamento da queijaria tentaram produzir doce de queijo, com o que sobrava, mas depois tiveram que parar por não possuírem embalagem suficiente para tal, o que na sua opinião pode ser uma boa alternativa para atrair os jovens para este sector, atribuindo-lhes alguma formação na área.

WN/AA

Inforpress/Fim

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