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Macuna – do palco do futebol à clandestinidade

 

Cidade da Praia, 02 Jul (Inforpress) – Antigo internacional cabo-verdiano, António Manuel Moreno, popularmente conhecido por Macuna, afigura-se como um dos históricos do futebol cabo-verdiano com passagem pelo profissionalismo português e “luta na clandestinidade”.

Define-se como um futebolista que marcou a sua época no futebol nacional nos finais dos anos 70 e início de 80, pela sua técnica apurada, habilidade e dos mais polivalentes da sua geração, dada a facilidade com que se adaptava às diversas posições.

Iniciou a sua carreira futebolista na reserva do Sporting da Praia aos 16 anos e que foi utilizado simultaneamente pela equipa principal (A).

Actualmente com residência em Almada, Portugal, vangloria que de 1972 a 1976 representou a equipa principal do Sporting da Praia com o antigo treinador Djédje de Ponta Belém.

De 1976 a 1978 mudou das insígnias pela Associação Académica da Praia para trabalhar com o malogrado treinador Tóca Antunes, e do antigo treinador Djidjé, sendo que daí rumou para Portugal, juntamente com outro histórico do futebol cabo-verdiano da sua geração, Zé di Nhana, com a missão de representar o Sport Lisboa e Benfica.

Ainda antes de se aventurar no profissionalismo português, Macuna deixou a sua marca pela selecção de futebol de Cabo Verde. Disputou a sua última partida diante da equipa nacional de Angola no Estádio da Várzea, com vitória de 1-0 para os angolanos de Dinis (ex Sporting Portugal).

Confessa que a sua adaptação ao clube da Luz não foi a melhor por causa da falta de nacionalidade portuguesa, pois reconhece que nessa altura era “extremamente difícil” impor-se, por força da lei que limitava a utilização apenas de um futebolista estrangeiro.

Passeou a sua classe no Vilafranquense, equipa da distrital na altura, o que lhe permitiu uma oportunidade para testar as suas qualidades no Sporting de Portugal.

Durante seis meses, relata o antigo internacional, a sua participação na equipa leonina esteve condicionada já que apenas podia alinhar na equipa, um dos dois estrangeiros.

Representou emblemas dos Belenenses e Famalicão na primeira divisão, Rio Maior, Peniche (clube pelo qual representou durante seis épocas) Almeirim, Portalegrense, Alcains, tendo terminado a carreira no Proença-a-Nova como jogador/treinador em 1984/85.

Depois de pendurar as chuteiras teve ainda uma passagem pelo futebol cabo-verdiano, já como treinador da equipa do Desportivo da Praia no Regional de Santiago Sul em 2010.

Mas a juventude de Macuna foi dividida entre futebol e política, atesta, alegando que em 1972 já estava ligada à vida política e que deu a sua contribuição à luta armada como um dos mobilizados de João Monteiro, “Djonsa Cool”.

Desta ninhada aponta companheiros desta luta na clandestinidade como Jacinto Santos, Lú Preta, com quem diariamente auscultavam “a Rádio Conacri em Quebra Canela com o propósito de ouvir os ensinamentos de Amílcar Cabral”.

Com a morte de Cabral em 1973, afirma que o grupo ficou mais activo e que inclusive em 1974, aquando da vinda dos dirigentes do PAICV da luta armada, designadamente Pedro Pires, Aristides Pereira, Silvino da Luz foi responsável da vigilância, com a incumbência de fazer rondas de guarda da orla marítima da Ribeira Grande de Santiago.

Conta que integrou o Bureau Político (I) do Brasil (Achada Santo António) com Jacinto Santos, Milucy Santos, Abailardo Amado, e que recebiam treinos militares em Careira Tiro, na Várzea com os instrutores Tchifon e Jota Jota, ao mesmo tempo que sensibilizavam a população sobre os valores da independência.

Nomes como Felisberto Viera, José Tomas Veiga, Eurico Monteiro são recordados por Macuna como integrantes do Bureau 4, com os quais diz ter partilhado esforços com vigilâncias nocturnas para ainda de manhã dedicar-se ao futebol.

Hoje considera ter sido recompensado e valorizado com a independência e democracia nacional.

SR/ZS

Inforpress/Fim

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