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Luís Filipe Tavares afirma que quis “poupar” Cabo Verde ao “desgaste” das eventuais repercussões políticas negativas

Cidade da Praia, 12 Jan (Inforpress) – O ex-ministro dos Negócios Estrangeiros e ministro da Defesa, Luís Filipe Tavares, justificou hoje o seu pedido de demissão por querer “poupar”  Cabo Verde a crispação adicional e ao “desgaste” que resultam das eventuais repercussões políticas negativas.

A reacção, através de um comunicado de imprensa, aconteceu horas depois de ter pedido demissão dos cargos que vem desempenhando no Governo, tendo o executivo aceitado, por causa da polémica despoletada na imprensa portuguesa que o aponta o empresário português César do Paço, nomeado para o cargo de cônsul honorário de Cabo Verde na Flórida, EUA, como um patrocinador do partido Chega, da extrema-direita.

“Considerando, porém, informações adicionais e recentes postas a circular, sem fazer qualquer juízo de valor sobre o seu mérito e ainda imbuído do espírito de poupar a Cabo Verde a crispação adicional e o desgaste que resultam das eventuais repercussões políticas negativas, não poderia ter outra atitude que não fosse a de requerer a S. Exa. o primeiro-ministro a minha exoneração do cargo de ministro dos Negócios Estrangeiros e Comunidades e de Ministro da Defesa”, justificou.

Segundo Luís Filipe Tavares, na escolha do César de Paço para cônsul honorário, esteve sempre de “boa fé”, baseando-se no facto de ter sido cônsul honorário de Portugal por vários anos, de ser uma pessoa “bem colocada e considerada” na sociedade americana e de pretender investir em Cabo Verde tendo os recursos próprios necessários.

O ex-governante afirmou, ainda, que baseou-se também nas informações a respeito do mesmo obtidas de fontes independentes e credíveis, sendo que não inquiriu sobre as simpatias políticas do César do Paço, no contexto americano e português, guiado pela “inabalável crença na liberdade de escolha político-partidária que deve ser reconhecida a todos os cidadãos, sem qualquer distinção”.

Tavares tem “firme convicção” de que as simpatias políticas “são irrelevantes” no critério de escolha de cônsules honorários ou qualquer outro cargo, acrescentando que Cabo Verde “não deve imiscuir-se” nas questões partidárias de outros países, nem permitir que tais questões interfiram nas suas escolhas, do mesmo modo que “não aceita a interferência de partidos políticos estrangeiros nas questões internas do país”.

“Para mim, a prova cabal da probidade do Dr. de Paço foi o exequatur que lhe foi concedido pelas autoridades americanas. Tal facto, não me suscitou a necessidade de indagações suplementares. Estou de consciência tranquila dada pela convicção que, neste caso e noutros, procurei sempre fazer o meu melhor para servir Cabo Verde”, sublinhou.

Na reportagem de investigação intitulada “A Grande ilusão: cifrões e outros demónios”, divulgada esta segunda-feira na SIC, César do Paço é apontado como principal financiador do Chega, partido da extrema-direita de Portugal.

As informações divulgadas apontam ainda que César do Paço foi acusado em 1991 em Portugal de crime de roubo qualificado, tendo o Ministério Público decretado a sua prisão preventiva, seguindo de um mandado de captura. Contudo, não chegou a ser julgado porque fugiu.

DR/JMV

Inforpress/Fim

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