Liz Truss eleita líder Conservadora vai ser primeira-ministra do Reino Unido

Londres, 05 Set (Inforpress) – A ministra dos Negócios Estrangeiros, Liz Truss, foi hoje anunciada em Londres a vencedora da eleição interna para a liderança do partido Conservador, pelo que vai suceder a Boris Johnson como primeira-ministra.

“É uma honra ser eleita líder do partido”, afirmou a até agora ministra dos Negócios Estrangeiros, no discurso de vitória, agradecendo à família, amigos e apoiantes, ao opositor Rishi Sunak, mas também aos Conservadores por organizarem “a maior entrevista de emprego da História”.

Sobre o “amigo Boris Johnson”, Truss destaca que conseguiu executar o Brexit, “esmagar Jeremy Corbyn”, levar a cabo a vacinação e “enfrentar Vladimir Putin”.

“Vou apresentar um programa audacioso para cortar nos impostos e fazer a economia crescer. Vou tratar da crise energética, focando-me na conta energética das famílias, mas também nos problemas que temos a longo prazo relacionados com o fornecimento de energia. E também vou focar-me no Serviço Nacional de Saúde”, prometeu.

A ministra dos Negócios Estrangeiros tornou-se na candidata da continuidade, reunindo apoios da ala mais à direita e pró-Brexit do partido.

Assumidamente defensora de um mercado livre e impostos baixos, Liz Truss, de 47 anos, é uma política experiente que ocupou uma série de cargos ministeriais ao longo dos últimos 10 anos.

Durante a campanha, Truss conquistou as bases prometendo cortes fiscais e adotando um tom duro contra os sindicatos, o que lhe valeu comparações com Margaret Thatcher e uma vantagem superior a 30 pontos percentuais em algumas sondagens.

O anúncio foi feito ao início da tarde desta segunda-feira, mas a passagem do ‘bastão’ só terá lugar na terça-feira, quando Johnson apresentar a demissão de primeiro-ministro à rainha Isabel II no castelo de Balmoral, na Escócia.

A viagem até ao norte do país, que rompe com a tradição de a audiência se realizar no Palácio de Buckingham em Londres, vai tornar a transição mais demorada, pois também o sucessor terá de viajar cerca de 1600 quilómetros (ida e volta) entre a capital e o castelo escocês.

O longo processo começou a 7 de julho, quando Boris Johnson anunciou a renúncia na sequência da demissão de 60 membros do governo, instigados por uma série de escândalos e dúvidas sobre a integridade do líder.

Seguiram-se oito semanas de eleições internas. Os 11 candidatos interessados e oito que conseguiram os apoios necessários para entrar na corrida, foram escolhidos dois finalistas após cinco rondas de votação entre deputados: Liz Truss e o antigo ministro das Finanças Rishi Sunak.

Após uma campanha pelo país que incluiu 12 comícios-debate entre Truss e Sunak, debates televisivos e outros eventos, a fase final, realizada por voto postal e aberta apenas aos 172.437 militantes do partido, encerrou na passada sexta-feira.

Liz Truss recolheu 81.326 votos e Rishi Sunak: 60.399, numa eleição com apenas 17,4% de abstenção e 654 votos branos ou nulos.

A decisão sobre quem vai dirigir o país de 67 milhões de habitantes recaiu sobre um grupo de menos de 0,3% da população, formado na maioria, segundo um estudo académico, por homens brancos com mais de 50 anos.

À espera de resposta urgente do novo chefe de governo estão questões como o custo crescente das contas de energia, que está a sufocar famílias, escolas, hospitais e empresas, e a inflação, que está a causar agitação social.

Inforpress/Lusa

Fim

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