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Literatura: Livro “Se Causa dor não é amor” de Miriam Medina estará disponível ainda este ano

Cidade da Praia, 13 Set (Inforpress) – O livro da socióloga Miriam Medina “Se Causa dor não é amor” vai ser lançado ainda este ano e traz 12 relatos de jovens que viveram um relacionamento abusivo, informou hoje à Inforpress a autora.

Previsto inicialmente para ser dado à estampa em 2018, ano em que foi escrito, a autora teve de adiar o lançamento devido a problemas pessoais, mas desta vez garantiu que até ao final do ano estará no mercado.

O livro é fruto de uma recolha que a sociólogo fez em todo o país, enquanto ministrava palestras sobre violência no namoro nas escolas secundárias, onde teve oportunidade de falar com mais de três mil jovens.

Dessas conversas, Miriam Medina reteve 12 histórias, contadas na primeira pessoa, para dar corpo ao seu livro, que, segundo disse, pretende chamar a atenção da sociedade para essa problemática que está a afectar a sociedade cabo-verdiana.

“São histórias muito tristes de meninas tão nova e já com um histórico de violência bastante grave e há histórias de violência no masculino. Às vezes, as pessoas acham que só pode acontecer no feminino, mas mesmo entre os jovens há violência no masculino e violência entre lésbicas”, informou.

Com essas recolhas, disse, deu para constatar que as mulheres também são violentas, por isso defendeu que é preciso “educar” os jovens, tanto as meninas como os rapazes.

Conforme sublinhou, a violência baseada no género não só acontece entre os adultos, mas também é visível no seio dos jovens, explicando que quando a violência começa no namoro e os jovens não conseguem sair desse relacionamento abusivo, isso continuará na vida adulta.

Miriam Medina defendeu que é necessário ensinar os jovens a dizer “não”, a valorizarem-se, e a terem em conta que o amor é para ser vivido a dois e de forma saudável.

Depois de ler e de escutar tantas histórias, que considerou serem “graves”, a mesma fonte concluiu que a violência no namoro se tornou numa questão de saúde pública.

Na sua pesquisa, constatou ainda que os jovens estão com uma “carência muito grande” que já vem da família e, muitas vezes, para chamarem atenção acabam por se submeterem a um relacionamento abusivo, porque em dado momento vão ter o carinho que não encontram na família.

Neste sentido, a socióloga pede às famílias a estarem mais presentes na vida dos jovens. Defendeu, ainda, um “casamento” entre a família, a sociedade e à escola.

“Os professores devem também estar atentos quando notar uma diferença no comportamento de um aluno. Houve meninas que deixaram de ir à escola, perderam o ano lectivo porque o namorado era muito ciumento e não queria que a menina frequentasse a escola, e a família nem se apercebeu disso”, contou.

Miriam Medina considerou que são histórias realmente “muito pesadas” que acabaram por abalar-lhe, enquanto mulher, mãe e cidadã, a sua estrutura emocional.

 “Quando eu pensava que não tinha como escutar coisas piores, vinham coisas piores. Há uma menina que o namorado lhe enfiou a cabeça na sanita e deu descarga, teve outra que o namorado lhe raspou o cabelo com uma lâmina, outra teve o nariz quebrado, teve outra que foi violada pelo próprio namorado com um objecto”, revelou.

O livro, mesmo antes de chegar ao mercado, informou, já despertou interesse “enorme” da sociedade civil, principalmente de estudiosos.

Para além da intenção de lançar o livro em Cabo Verde, fez saber que já tem convites para fazer o lançamento em Luxemburgo, Brasil e Portugal.

AM/JMV

Inforpress/Fim

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