Literatura: João Lopes Filho dá à estampa segunda edição do romance “Percursos & Destinos”

Cidade da Praia, 01 Mar (Inforpress) – O escritor e professor universitário João Lopes Filho dá à estampa hoje, com a chancela da Livraria Pedro Cardoso, a segunda edição do romance “Percursos & Destinos”.

João Lopes Filho, que é antropólogo, ao longo dos seus quarenta anos de escrita, já publicou 30 livros, no âmbito de ensaio, crónica e ficção, debruçando-se sobre a temática cabo-verdiana e alguns são utilizados como manuais no ensino superior.

Entretanto, em 2011, aventurou-se para a escrita de romance, depois de ter conhecido um grupo da Sonangol que esteve em Cabo Verde com o intuito de anunciar o concurso literário.

“Mandei o livro no anonimato só para experimentar as minhas potencialidades, não com o intuito de ser romancista, mas no final acabei por ficar em primeiro lugar. Tenho por norma observar os quotidianos, costumes e viveres de Cabo Verde e ao fazer essas observações registei aspectos deste quotidiano e foi a partir desses elementos que constitui o livro”, contou.

Daí, disse, foi publicada em Angola, pela União dos Escritores Angolanos, na colecção Sete Egos, a primeira edição desta obra, que venceu o prémio Sonangol de Literatura 2010.

Como o livro foi editado em Angola e nunca esteve em venda em Cabo Verde, João Lopes Filho aliou-se à Livraria Pedro Cardoso para editar a segunda edição.

Em relação ao conteúdo do livro, explicou que teve a preocupação de mostrar não só o quotidiano cabo-verdiano como também a sua ligação com a diáspora.

“Escolhi dois elementos, um feminino e um masculino, que vão para países diferentes. A moça vai para a Itália, ali chamo a atenção para a grande imigração feminina que houve para a Itália nos anos 60, e o homem vai para a Holanda, mas depois o destino leva o rapaz para a Itália e ali começa o romance”, levantou um pouco o véu deste romance, que no final não teve um “bom desenlace”.

A escritora Ondina Ferreira, que escreveu o prefácio do livro, assegurou que o leitor irá descobrir, ao longo das páginas do romance, a forma “interessante como o antropólogo “espreita” o ficcionista e, vice-versa, como o ficcionista muitas vezes, “cede lugar” ao analista/etnólogo”.

Os “Percursos” dos protagonistas e das outras personagens que propiciam a acção, segundo a escritora, e o contexto da narrativa, “são bastas vezes, motivos de aproveitamento por parte do narrador, para uma análise histórica, antropológica, dos usos, das tradições, dos costumes e das superstições que as personagens vivenciam e transportam da terra/ilha/arquipélago para o ‘mundo largo’”.

Enquanto “Destinos”, continuou, configuram a teia, o universo ficcional propriamente dito, da história de um amor em que a sorte, o fado, os atros regentes – um conjunto de condicionalismos muito deles esotéricos, ora em conjugação, ora em disjunção com as vicissitudes da vida – o não consagram e nem ajudaram ao chamado “final feliz”.

Nesta obra, escreveu, o narrador gere e distribui uma cadeia de acontecimentos que tem como pano de fundo, a emigração e como cenário, ou espaço da intriga, uma das ilhas, ou mesmo, mais do que uma ilha deste arquipélago.

“Na obra por vezes parece um geo contínuo que ora adquire feição mais urbana que pode sugerir Mindelo, ou outra cidade, ora adquire feição rural/urbana que pode levar-nos à Vila Ribeira Brava, ou a evocar a orografia da ilha de Santo Antão e/ou mesmo a descrever, regiões de São Nicolau”, lê-se no prefácio.

O livro vai ser apresentado pela professora Fátima Fernandes, na sede da Livraria Pedro Cardoso, na Cidade da Praia.

AM/ZS

Inforpress/Fim

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