Líder do PAICV diz que Ulisses Correia e Silva está a fazer uma “governação corrente” do país

 

Cidade da Praia, 21 Abr (Inforpress) – A líder do PAICV (oposição), Janira Hopffer Almada, disse hoje que o primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva, está a fazer uma “governação corrente” do país e sem uma “visão estratégia”, além de tomar medidas avulsas e “absolutamente descontextualizadas”.

Janira Almada acusou ainda o actual Governo de “destruir” as politicas do executivo anterior, “sem apresentar alternativas credíveis, retirando a esperança de milhares de cabo-verdianos, que segundo ela, “acreditaram no slogan ‘Nha Partido é Cabo Verde (Meu Partido é Cabo Verde)”

A presidente do Partido Africano da Independência de Cabo Verde fez estas considerações hoje, na Cidade da Praia, numa conferência de imprensa que concedeu para apresentar a visão do seu partido sobre os primeiros 12 meses de governação do Movimento para a Democracia (MpD), que tomou posse a 22 de Abril de 2016.

Para a líder do maior partido da oposição, não era expectativa do PAICV que, em um ano, todos os compromissos assumidos pelo MpD estivessem já cumpridos, mas esperava que em 12 meses, pelo menos em relação às promessas adoptadas no programa de emergência e no concernente às questões prioritárias, como o emprego e a segurança, “já houvesse sinais de que se estaria a trabalhar para melhorar a situação”.

“O comportamento do Governo suportado pelo MpD, embora em pouco tempo de exercício, já é suficiente para suscitar sérias preocupações”, precisou Janira Hopffer Almada, acrescentando que existem “profundas contradições” entre o que o Movimento para a Democracia prometeu e o que consagrara no programa do Governo.

Segundo ela, pior ainda são as práticas que “não somente violam os mais elementares princípios democráticos”, como ainda a levam a questionar se haverá “bom senso no exercício do poder”.

Na perspectiva da dirigente da oposição, nesses 12 meses de governação do MpD era espectável que a situação dos cabo-verdianos não se deteriorasse.

Entretanto, fez notar que 12 meses depois o país conheceu uma taxa de desemprego que subiu para 15 por cento, em que, de acordo com as suas palavras, “foram destruídos mais de nove mil postos de trabalho”, com a taxa de desemprego na população jovem a subir para 41 por cento.

“12 meses depois temos mais mulheres no desemprego”, revelou Janira Hopffer Almada, lembrando que uma das “grandes bandeiras de campanha do MpD foi a promessa de criação de 45 mil empregos dignos, à ordem de nove mil empregos dignos por ano”.

As medidas inovadoras para a juventude, prossegue, “ainda não foram sentidas pela própria juventude, nem na educação, nem a nível do ensino superior e, tão-pouco, a nível de políticas activas de emprego”.

Durante um ano, diz a líder do PAICV, o novo modelo de governação e a mudança da forma de exercício do poder político se traduziu “na mais dura partidarização de que se tem memória em Cabo Verde”.

Citou exemplos de instituições como os TACV (transportadora aérea nacional), a IFH (imobiliária), a Electra (empresa de produção de água e energia eléctrica), o Instituto nacional de Previdência Social, a ENAPOR (empresa de administração dos portos), o Instituto do Emprego e Formação Profissional e os Correios de Cabo Verde.

“O que se assistiu, foi a um autêntico assalto do Estado pelos dirigentes, militantes ou simpatizantes do MpD”, enfatizou a presidente do PAICV, lembrando que isto aconteceu depois de o Governo do MpD ter “eliminado os concursos públicos para os cargos de chefia”.

Na sua apreciação sobre a governação de Ulisses Correia e Silva, constatou ainda que o nível de vida dos cabo-verdianos “aumentou pela via da subida do custo de bens essenciais, como a água, a electricidade, o combustível e o gás”, enquanto o Governo “não aumentou os salários, nem as pensões”, frisou.

“A preocupação do PAICV com a sustentabilidade macroeconómica do país é grande”, concluiu Janira Hopffer Almada.

LC/FP

Inforpress/Fim

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