Líder da oposição acusa Governo de “desmantelar” a companhia aérea de bandeira

 

Cidade da Praia, 23 Mai (Inforpress) – A presidente do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV, oposição) acusou hoje o Governo de “estar a desmantelar” os   TACV, ao apoderar-se dos 49% da concorrência Binter e “recusar assumir a responsabilidade” da governação.

Na sua primeira declaração após o anúncio do Governo sobre as novas políticas adoptadas para os Transportes Aéreos de Cabo Verde (TACV), Janira Hopffer Almada disse que o processo foi feito com “absoluto secretismo” e “sem se dar conhecimento à Nação” de como se pretende gerir “activos estratégicos” para o desenvolvimento do país.

Por isso, alega o PAICV que a questão deve ser encarada com “preocupação, responsabilidade e ponderação necessária” para, primeiramente, ter conhecimento de todos os dados, de modo a ter um posicionamento definitivo.

Afirmou ter chegado o momento dos dois partidos que já governaram o país negociarem um pacto com prioridades de desenvolvimento a médio e longo prazo.

O PAICV, explicou a líder da oposição, está preocupado com as medidas anunciadas, pelo que vai “analisar minuciosamente este dossiê”, pois, sintetizou, “não é admissível” que num Estado de direito democrático o Governo actue com “absoluta confidencialidade” e sem partilhar com a nação dados fundamentais de activos estratégicos do país”.

É que, para a líder do maior partido da oposição, quer seja a privatização, quer seja a concessão de activos públicos estratégicos como os TACV têm de ser feitos com “muita cautela”, por serem negócios públicos sensíveis que, a seu ver, merecem um tratamento com “ponderação e responsabilidade” por “imperativo legal”.

Janira Hopffer Almada disse que a nação cabo-verdiana não tem a noção da política de transporte que o Governo está a adoptar, tendo ressalvado que o executivo prometeu reestruturar os TACV para a sua privatização, mas que neste momento está-se a “desmantelar” a companhia da bandeira com o anúncio de apoderamento pelo executivo de 49 por cento da Binter, para além da saída dos TACV dos voos domésticos.

“A questão que se coloca é se esta empresa vai ter o monopólio, se vai ser garantir os serviços mínimos e obrigatórios entre as ilhas, neste momento há um conjunto de dúvidas que estão no ar”, asseverou Janira Hopffer Almada, que criticou o Governo ao não socializar o plano de reestruturação, como referiu, não obstante os pedidos da oposição desde a semana passada.

Janira Hopffer Almada fez estas declarações a saída do encontro entre a delegação parlamentar do PAICV o vice-presidente da Câmara do Turismo, Eugénio Inocêncio, tendo afirmado que o povo decidiu entregar a governação ao MpD, mas que este Governo recusa assumir a responsabilidade da governação.

Afirmou ainda querer saber o destino a ser dado aos aeroportos, inteirar-se da política dos transportes aéreos e marítimos, porque o Governo tem “cometido erros sem se arrepiar” com matérias e compromissos que ultrapassam as legislaturas e que “podem comprometer o futuro do país”.

Disse ser fundamental ao Governo concentrar-se nas soluções prometidas aos cabo-verdianos e sublinhou que para o PAICV o mais importante é que o país esteja protegido porque não é apologista da política de terra queimada, mas que o seu partido está disponível para dar o seu contributo com propostas para resolver os problemas emergenciais.

SR/AA

Inforpress/Fim

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