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Liberdade de Imprensa em Cabo Verde é um processo em construção permanente, com ganhos e perdas – AIPCV

Cidade da Praia, 03 Mai (Inforpress) – O presidente da AIPCV considera que a liberdade de imprensa em Cabo Verde é um processo em construção permanente, com “ganhos” e “perdas”, e que a subida no ranking dos RSF significa “muito pouco para as ambições do arquipélago”.

Em declarações à Inforpress, no âmbito do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa que hoje se assinala, o presidente da Associação da Imprensa Privada em Cabo Verde (AIPCV), Fernando Ortet, lamentou o facto dos órgãos privados de comunicação social viverem num quadro de “sufoco” financeiro e fiscal que, no seu entender, acaba por afectar o desempenho do trabalho jornalístico no país.

“Lamentavelmente, ao mesmo tempo que nos discursos vai dizendo que é ‘Estado amigo das empresas’, o Estado vai sugando o máximo que pode de quem produz, pouco se importando, no caso das empresas de comunicação, com os problemas muito particulares do nosso sector”, realçou, frisando que o resultado disso é que as empresas  vêem-se sem capacidade para contratar jornalistas formados, especializados e experientes.

Para este responsável, longe de ter mais quadros capazes de analisar e questionar o que se passa em sectores chave para o desenvolvimento do país, ainda há ilhas no arquipélago praticamente excluídas, marginalizadas e sem acesso às notícias dos jornais impressos.

Avaliando a situação do arquipélago, de acordo com os dados dos Repórteres Sem Fronteiras sobre o ranking mundial da liberdade de imprensa 2019, asseverou que a subida destas quatro posições no referido ranking significa “muito pouco” para as ambições de um país como Cabo Verde.

Além disso, reforçou, essa subida não se deve ao desempenho interno, mas à degradação profunda da liberdade de imprensa noutros países, sustentando que o retrato que os RSF fazem de Cabo Verde, visto isoladamente, “está longe de ser lisonjeador”.

“Na verdade, apesar de termos melhorado quatro posições, o relatório dos RSF voltou a tocar em velhas questões, que já deviam estar superadas, mas não estão. Uma delas é a supremacia dos órgãos públicos entre nós, uma outra velha questão é a autocensura, esta então, longe de desaparecer, vai se agravar ainda mais agora com o novo Código de Ética da RTC, claramente, violadora e desrespeitadora da Constituição da República”, afirmou.

Entretanto, ressaltou que se esses e outros problemas relacionados com a classe e a liberdade de imprensa forem encarados com seriedade e abertura de espírito, Cabo Verde poderá ascender a novos patamares, “não por demérito dos outros, mas por mérito próprio”.

Para o presidente da AIPCV, o maior desafio do jornalismo em Cabo Verde passa pela sobrevivência dos órgãos de comunicação social, garantir ao país e aos cabo-verdianos um jornalismo de qualidade, livre e independente, indicando ainda que o maior acesso às fontes e a regulação do mercado publicitário são desafios que ainda persistem.

Avançou, por outro lado, que a AIPCV, recentemente criada, quer defender os interesses dos seus associados e lutar para que a imprensa, no geral, tenha melhores condições de exercer um jornalismo de qualidade, investigativo, fiscalizador, e que ao mesmo tempo possa participar activamente na informação, na formação e no esclarecimento do cabo-verdiano.

“A AIPCV quer participar activamente na informação, na formação e no esclarecimento do cabo-verdiano em relação a tudo que diga respeito ao seu país. Uma sociedade livre e aberta faz-se com homens livres e para isso é preciso que haja democracia e liberdade de imprensa”, declarou, defendendo que é depois disso que haverá a garantia da liberdade de expressão em Cabo Verde.

O Dia Internacional da Liberdade de Imprensa é comemorado no dia 03 de Maio.

A data celebra o direito de todos os profissionais da mídia de investigar e publicar informações de forma livre.

O Dia Mundial da Liberdade de Imprensa foi criado pela Unesco – Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura – no ano de 1993.

A data foi criada para alertar sobre as impunidades cometidas contra centenas de jornalistas que são torturados ou assassinados como consequência de perseguições por informações apuradas e publicadas por estes profissionais.

CM/ZS

Inforpress/Fim

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