Liberdade de Imprensa: AJOC culpabiliza MP pela queda de nove posições de Cabo Verde no ranking mundial

Cidade da Praia, 03 Mai (Inforpress) – O presidente da Associação Sindical dos Jornalistas de Cabo Verde (AJOC) afirmou hoje que a queda de nove posições do arquipélago no ranking Mundial da Liberdade de Imprensa preocupa a associação e atribuiu toda a culpa ao Ministério Público (MP).

Geremias Furtado manifestou a sua preocupação em declarações à imprensa, à margem da conferência nacional alusiva ao Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, tendo como lema central “Jornalismo sob Vigilância” e como tema “Mais Liberdade e Melhor Democracia”, que foi realizada pela Autoridade Reguladora para a Comunicação Social (ARC), em parceria com a Comissão Nacional de Cabo Verde para a Unesco e a AJOC.

“Não me recordo ter visto Cabo Verde a descer tanto assim neste importante ranking, estamos em queda livre porque já tínhamos descidos duas posições no ranking do ano passado e este ano descemos mais nove, acreditamos que tudo isto está relacionado com situações que recentemente afectaram o ambiente da Comunicação Social em Cabo Verde”, declarou, o presidente da AJOC.

As razões que motivaram a queda de Cabo Verde no referido ranking dos Repórteres Sem Fronteiras, segundo este responsável, têm que ver com as recentes situações em que jornalistas foram notificados a comparecer ao Ministério Público, por terem divulgado informações relacionadas a um processo que se encontra ainda em segredo de justiça.

“É uma descida que nos preocupa e atribuímos toda a culpa ao Ministério Público, que, no nosso entender, se dá mal com a liberdade de imprensa e com a própria Constituição de Cabo Verde”, declarou.

Geremias Furtado reiterou neste sentido a necessidade de clarificação da lei sobre a preservação do segredo de justiça, afirmando que no jornalismo e na comunicação social deve sobrepor sempre o interesse público.

Estranhou ainda o facto de nenhum grupo parlamentar ou deputado ter tomado a iniciativa de avançar com uma proposta de alteração desta lei, isto quando, lembrou, esta situação polémica envolvendo jornalistas suscitou na altura várias intervenções no parlamento a favor da liberdade de imprensa.

Cabo Verde cai nove lugares no ranking mundial da liberdade de imprensa, em relação a 2021, conforme o relatório que a ONG internacional, com sede em Paris, França, Repórter Sem Fronteiras (RSF) divulgou hoje.

Apesar da queda, o País continua a ocupar a melhor posição a nível dos países africanos de língua oficial portuguesa.

Depois de Cabo Verde, terceiro entre os lusófonos, é a Guiné-Bissau que surge como o melhor classificado (92º lugar). Angola é 99º e o Brasil 110º. Moçambique é o pior classificado entre os países de língua oficial portuguesa ao ficar na 116º posição entre um total de 180 países analisados.

Entre os países lusófonos, Portugal é o que alcança a melhor classificação (7º). Destaque igualmente para o crescimento de Timor Leste que da edição do ranking de 2021 para este ano subiu da 71ª posição para a 17ª.

Os dados revelados pela RSF sobre a imprensa de língua portuguesa mostram que Cabo Verde e Moçambique são os dois únicos países que perdem posições no ranking. Cabo Verde desce nove lugares enquanto Moçambique perde oito posições.

Segundo a RSF, o arquipélago se destaca na região pelo ambiente de trabalho dos jornalistas. A liberdade de imprensa é garantida pela constituição. Os directores dos meios de comunicação públicos, que dominam o cenário mídiático, são nomeados directamente pelo Governo.

“Cabo Verde, dada a sua dimensão, possui um cenário mídiático diversificado. Existem cinco canais de televisão, incluindo o canal público Televisão de Cabo Verde (TCV), o de maior audiência, três canais privados e um canal português dirigido aos países africanos de língua portuguesa”, lê-se no relatório da RSF.

De acordo com a mesma fonte, o País possui cerca de dez estações de rádio, uma das quais é pública (Rádio de Cabo Verde, RCV). Com relação à imprensa escrita ou online, Cabo Verde possui uma agência de notícias, dois jornais impressos e cerca de cinco sites de notícias. Entretanto, a geografia do arquipélago também dificulta a distribuição da mídia em todas as dez ilhas.

Entretanto, países como Noruega, Dinamarca e Suécia continuam no topo da lista como um modelo democrático onde a liberdade de expressão prevalece, e embora haja melhorias na Moldova e na Bulgária.

A RSF observou igualmente uma polarização dos meios de comunicação social nos Estados Unidos, em França e na Polónia.

CM/ZS Inforpress/Fim

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