JPAI “preocupada” com “crescente perda de jovens quadros” da ilha do Fogo para outras ilhas e emigração

São Filipe, 24 Nov (Inforpress) – A Juventude do PAICV (JPAI) mostrou-se hoje “preocupada” com a “perda constante e sistemática de jovens quadros capazes”, que poderiam “ajudar no crescimento e desenvolvimento” do Fogo para outra ilhas e emigração.

Em conferência de imprensa de balanço da visita efectuada à ilha, realizada hoje em São Filipe, o presidente da JPAI, Fidel Cardoso de Pina, avançou que este “abandono da ilha” deve-se a “inexistência de uma política de emprego” capaz de levar os jovens a permanecerem na ilha e, assim, não esteja a perder quadros, sabendo que a juventude, continuou, deve ser considerada “um dos principais activos” para o desenvolvimento.

“É necessário e urgente a implementação de políticas públicas para a juventude, que visam debelar o grave problema do desemprego jovem que afecta sobretudo os jovens das zonas rurais da ilha”, reforçou o líder da JPAI.

Para o mesmo, a extinção dos centros de juventude e a “falta de visão estratégica” em matéria de políticas de formação profissional, sobretudo pela falta de alinhamento entre as ofertas de formação e as reais necessidades de desenvolvimento da ilha, são sinais da “falta de vontade política” do actual Governo em atender os anseios da juventude foguense.

Fidel Cardoso de Pina apontou que é fundamental que que os jovens sejam interventivos e participativos na vida económica,  social e política da ilha, denunciando os constrangimentos que impedem o seu desenvolvimento, reivindicando os investimentos públicos necessários e uma política de discriminação positiva.

Em matéria de formação profissional, o presidente da JPAI afirma que se continua “a formar jovens para o desemprego” e que na ilha do Fogo existem várias áreas que poderiam ser “bem exploradas e alinhadas” com as ofertas formativas.

Para a juventude do PAICV “é urgente” pensar no ensino superior com apostas nas áreas onde a ilha é um “laboratório vivo”, como vulcanologia, sismologia, agricultura (cultura de videira, do café), produção industrial e artesanal do vinho,  silvicultura e turismo,  observando que a promessa do ensino superior na ilha foi mais umas das “falhadas promessas do Governo”.

A instalação de ensino superior foi uma das promessas do recém-eleito presidente da câmara de São Filipe, e o presidente da JPAI defendeu que é uma meta alcançável e que pelas competências técnicas e todo o percurso do novo presidente da câmara, que apostou numa equipa jovem, disse acreditar que esta promessa será exequível, porque é uma “necessidade imperativa para a ilha”.

Lembrou que cerca de 500 jovens da ilha frequentam as instituições de ensino superior na Cidade da Praia, sem contar com outros que não puderam deslocar-se para continuar os estudos.

Durante a sua estada na ilha, além de participar no processo de instalação dos órgãos autárquicos de São Filipe e Mosteiros, Fidel de Pina visitou várias zonas do interior tendo constatado, como disse, “o aumento de consumo do álcool e drogas” nas zonas do interior,  “devido a falta de emprego e de política” em matéria de desporto, levando os jovens a “debitar toda a sua frustração em males sociais”, sublinhando que é fundamental um “djunta-mon” do Governo, câmaras municipais e autoridades da ilha para evitar que os jovens enveredam para estes caminhos com “consequências gravíssimas”.

Para o líder da JPAI, a pandemia da covid-19 teve “impacto negativo” e trouxe “sérias consequências” à juventude, como o abandono escolar para os estudantes residentes na ilha, assim como os que se encontravam nas outras ilhas devido a perda de rendimento dos agregados familiares com a suspensão de contratos e o desemprego.

O abandono escolar, segundo o mesmo, tem raiz na emigração e vários jovens pelo facto de um familiar ter dado entrada da documentação para a emigração deixam de frequentar as aulas, tendo o líder da JPAI apelado às autoridades para uma intervenção profunda já que a educação/formação serve tanto no país como no exterior.

Para a juventude do PAICV, os impactos da pandemia e a falta de políticas de emprego e de acesso a formação para juventude foguense demonstraram que o figurino de governação do País “em nada capitaliza a juventude” como um “activo do desenvolvimento”.

JR/AA

Inforpress/Fim

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