Jovens convocam marchas no país e na diáspora para “mostrar indignação” pela morte de Giovani Rodrigues

Cidade da Praia, 06 Jan (Inforpress) – Um grupo de jovens está a organizar marchas silenciosas no país e na diáspora para “manifestar indignação” pelo caso de espancamento e morte do estudante cabo-verdiano, Giovani Rodrigues, em Bragança, Portugal.

Em declarações à Inforpress, um dos mentores da iniciativa, Júnior Lima, afirmou que o que se pretende com a marcha é mostrar também a “revolta” com a forma como as autoridades judiciárias de Portugal e políticas de Cabo Verde trataram o caso.

“Giovani foi espancado no dia 21 de Dezembro de 2019. Passaram quase duas semanas sem que o caso fosse noticiado ou investigado pelas autoridades policiais”, reclamou o jovem estudante radicado em Portugal, completando que ele e outros jovens querem justiça e esclarecimento deste acontecimento.

Júnior Lima avançou ainda que as marchas, a decorrerem em simultâneo em Portugal (Guarda, Porto, Coimbra, Lisboa, Bragança, Évora e Covilhã), Cabo Verde (Maio, Fogo e Santiago), França, Luxemburgo e Estados Unidos da América, estão marcadas para o próximo sábado, 11, a partir das 14:00, horas da cidade da Praia.

Informações veiculadas na imprensa adiantam que no dia 21 de Dezembro passado, o estudante cabo-verdiano do Instituto Politécnico de Bragança (IPB) terá sido agredido por vários homens à saída de uma discoteca em Bragança, Portugal.

Transportado para o Hospital de Santo António, no Porto, o jovem estudante, de 21 anos, acabou por morrer no dia 31 de Dezembro, segundo o comunicado da Embaixada de Cabo Verde em Lisboa.

A morte desse jovem estudante que se deslocou a Portugal para prosseguir os estudos provocou uma onda de indignação no seio dos cabo-verdianos, com as autoridades cabo-verdianas a pedirem “o cabal esclarecimento” desse caso.

Uma notícia publicada pelo jornal português “Público” e citada pelo Expresso das Ilhas adianta que Polícia Judiciária (PJ) de Portugal afasta a suspeita de que a morte do estudante do Instituto Politécnico de Bragança Giovani Rodrigues esteja associada a ódio racial.

“O motivo da agressão, que terminou em óbito, terá sido uma futilidade”, avançou a mesma fonte.

O primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva, declarou hoje, por sua vez, confiança na justiça portuguesa e afirmou que o caso de espancamento e morte do estudante cabo-verdiano, Giovani Rodrigues, “não belisca” as relações entre Cabo Verde e Portugal.

“Esperemos que a justiça se faça, nós confiamos na justiça portuguesa. A investigação está em curso e temos que aguardar agora os resultados. O ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal teve um posicionamento muito claro em relação a esta matéria”, disse Ulisses Correia e Silva.

GSF/MJB//AA

Inforpress/Fim

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