José Maria Neves pede questionamentos a formas instaladas de gestão do interesse público na sub-região africana

Cidade da Praia, 09 Mai (Inforpress) – O Presidente da República, José Maria Neves, exortou hoje, na Cidade da Praia, a sub-região africana, a “reequacionar prioridades” e “questionar formas instaladas de gestão do interesse público”, no sentido de precaver os desafios de possíveis novas pandemias.

José Maria Neves, que discursava na abertura da conferência internacional, organizada pelo Tribunal de Justiça da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), na cidade da Praia, defendeu também o “aproveitamento de oportunidades e na valorização de recursos endógenos, a começar pelos recursos humanos”.

“Temos de estar preparados para outras pandemias e para as endemias. Temos de estar em sintonia quanto à centralidade política e estratégica das questões da saúde e da segurança sanitária, incluindo a capacidade de produção de vacinas e medicamentos em geral”, explicou.

O Chefe de Estado afirmou ainda que não se pode “ficar à mercê de um sistema cujas iniquidades a pandemia colocou inteiramente a descoberto”, defendendo a necessidade de se ter “coragem para reequacionar prioridades e questionar formas instaladas de gestão do interesse público”.

“Cabo Verde é um dos países com mais impacto da covid-19, o que se traduz na redução do seu PIB em cerca de 15%. Sectores vitais da nossa vida económica e social foram fortemente atingidos, com algumas regiões do País a necessitar de urgentes medidas de discriminação positiva para que possam rapidamente reerguer-se e assim voltar a contribuir para o ritmo de crescimento nacional”, frisou.

O Presidente da República salientou que, apesar deste contexto de “intensa crise económica”, Cabo Verde abriu, no ano passado, a Embaixada em Abuja, na Nigéria, com poderes de representação junto da CEDEAO, visando o “incremento da presença e participação na organização sub-regional”

“Naturalmente que a integração regional é sempre um processo, que vai evoluindo, com custos e benefícios. Temos de ser perseverantes. Podemos aprender com o que existe de positivo em experiências anteriores como é o caso da integração europeia. Por outro lado, os exemplos menos bem conseguidos serviram igualmente de ensinamento para evitarmos as mesmas falhas”, explicou.

O Presidente da República defendeu igualmente que o actual cenário mundial, provocado pela guerra na Ucrânia, evidencia uma “permanente mutação”, com as relações entre os Estados a “complexificar-se progressivamente”, pelo que a CEDEAO deverá estar, atenta a estes desafios e optar sempre pela via do diálogo e da negociação para a resolução dos desentendimentos, divergências e disputas.

“A promoção e consolidação de sistemas democráticos de governo, a tolerância e o respeito pelos direitos humanos, a eliminação de todos os tipos de discriminação, devem fazer parte, de forma permanente, do catálogo de preocupações da CEDEAO, e do seu Tribunal, em particular”, disse o Presidente da República.

CC/GSF//ZS

Inforpress/Fim

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