Jornalismo é uma actividade ainda “muito ameaçada” – Clara Ferreira Alves

 

Cidade da Praia, 09 Nov (Inforpress) – A jornalista portuguesa Clara Ferreira Alves afirmou hoje na Cidade da Praia que o jornalismo é uma actividade “muito ameaçada”, sobretudo pela internet que é um “terreno selvagem” e “sem respeito por nenhuma regra”.

Clara Ferreira Alves fez essas declarações ao falar sobre “O papel dos escritores e jornalistas como descodificadores dos grandes momentos e acontecimentos internacionais”, em que era oradora, no âmbito do clico de conferências promovida pela Presidência da República entre os dias 08 e 09 de Novembro.

Para a portuguesa, os jornalistas gostam de ser amigos dos políticos para poderem ter uma fonte de notícia, assim como os políticos criam amizade com os jornalistas, porque sabem que têm alguém que pode divulgar o que quiserem quando precisarem, frisando que neste aspecto, o jornalismo económico e político é o sector “minado”.

Segundo ela, apesar de o jornalismo estar ameaçado, os media é algo que ainda os políticos “sentem medo”, fazendo com que os mesmos “não sejam espontâneo” ao falarem com os jornalistas, entretanto, que tanto os jornalistas como os políticos estão a “sofrer” por causa da internet.

“A internet é um terreno selvagem e não obedece regra nenhuma”, disse, lembrando que, actualmente”, as redes sociais transformaram-se em “produtoras” de conteúdos jornalísticos, mas afiançou que o jornalismo on-line “não é rentável” dado a fragilidade do sistema que vai fazer com que “não aguente 10 anos”.

Clara Ferreira Alves explicou que o jornalista tinha um papel de intermediário entre os acontecimentos da história e a sociedade e que ele era visto como uma narrativa ou uma disciplina quase que da literatura, visto que para ser jornalista a pessoa tinha que ter talento pela escrita.

Sob a moderação de Joaquim Arena, o tema sobre “O papel dos escritores e jornalistas como descodificadores dos grandes momentos e acontecimentos internacionais” abordou a crescente perda de protagonismo dos escritores e jornalistas como intérpretes privilegiados dos grandes eventos, conflitos internacionais e do seu papel de mediação entre o pulsar do mundo e os cidadãos.

No âmbito do ciclo de conferência, este também em discussão, nesta quarta-feira, 08, na Sala Beijing da Presidência da República, o tema sobre “Revolução Russa, 100 anos depois: sonhos, utopias, que legado? Qual a influência nos movimentos de libertação e no pensamento político dos líderes africanos?”

O tema que teve como moderador, José Vicente Lopes, e oradores, os portugueses Clara Ferreira Alves e Francisco Louçã, e Casimiro de Pina e Aquilino Varela, de Cabo Verde, abordou o legado de uma das revoluções mais importantes da história, cujos afeitos atravessaram quase todo o século XX e ainda com reflexos em algumas sociedades e líderes do mundo actual.

DR

Inforpress/Fim

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