Jorge Carlos Fonseca faz balanço positivo da campanha “Menos Álcool Mais Vida” mas alerta que a “tarefa não é fácil”

 

Cidade da Praia, 01 Jul (Inforpress) – O Presidente da República, Jorge Carlos Fonseca, fez hoje na Cidade da Praia, um balanço positivo do trabalho efectuado durante um ano da campanha “Menos Álcool Mais Vida”, mas alertou à sociedade cabo-verdiana que a “tarefa não é fácil”.

“Durante este período tem-se procurado fazer coisas úteis, mas, sobretudo, aprender como lidar com a problemática do uso abusivo de bebidas alcoólicas na perspectiva da sua prevenção”, disse Jorge Carlos Fonseca, em declarações à imprensa, em jeito de balanço sobre um ano da campanha “Menos Álcool Mais Vida”.

“Temos verificado, na prática, que a tarefa não é fácil, particularmente, porque o consumo de bebidas alcoólicas está profundamente arraigado na nossa cultura e o seu consumo excessivo é muito tolerado pela nossa sociedade”, reconheceu Jorge Calos Fonseca.

Contudo, o presidente da República disse que se tem, também, verificado que, “de forma lenta, mas progressiva, a ideia de que o alcoolismo representa um sério desafio para todos e se vai consolidando”.

Para o chefe de Estado, “este sucesso, ainda que muito relativo”, é o resultado da energia que os diferentes parceiros vêm despendendo no seu dia-a-dia ou em actividades especificas.

“O que temos feito durante estes doze meses com a OMS, os Ministérios da Educação e da Saúde e diversas organizações da sociedade civil, é a canalização e ampliação dessa grande energia, com o objectivo de ajudar as pessoas a compreender os riscos do uso desmedido de bebidas alcoólicas”, explicou.

“O consumo excessivo de bebidas alcoólicas é hoje objecto de preocupação de uma parte considerável da nossa sociedade. Se essa preocupação não é suficiente para solucionar o problema, ela é indispensável à sua compreensão, passo necessário ao seu equacionamento”, sublinhou o Chefe de Estado.

Para Jorge Carlos Fonseca, hoje, o uso excessivo de bebidas alcoólicas por jovens é referido como algo preocupante, sublinhando que cada vez mais se estabelece uma relação entre o uso abusivo de álcool e outras drogas e diversas formas de violência..

“A preocupação com um problema que continua a existir e a prejudicar muita gente representa algo muito importante, pois sem ela a inércia continuaria a imperar e a procura de alternativas ficaria comprometida”, realçou o Presidente da República, no seu discurso.

Segundo o chefe de Estado, o consumo excessivo de álcool continua a destruir pessoas e famílias.

“Ele prossegue a senda do desespero, da violência, da degradação, mas hoje essa triste realidade já não é coberta pelo espesso manto do silêncio de todos, como se algo natural e fatal se tratasse”, adiantou

Este ano de experiência permitiu verificar que a continuidade do processo reclama a descentralização das actividades de modo a, também, reflectirem as especificidades locais, disse Jorge Carlos Fonseca.

“Assim, ao mesmo tempo que se pretende intensificar as acções ao nível nacional, será iniciado um processo de descentralização. A Região Sanitária de Santiago Norte e o concelho de São Vicente foram os seleccionados”, anunciou.

A Região Sanitária de Santiago Norte foi escolhida pela importância numérica da sua população e pelo seu nível organizacional e São Vicente pelo facto de ter um dos níveis mais elevados de prevalência do uso de bebidas alcoólicas e uma reconhecida capacidade de mobilização, justificou o mais alto magistrado da Nação.

Os responsáveis locais das câmaras municipais e das áreas da saúde e educação deverão mobilizar as organizações da sociedade civil para a conjugação de esforços no sentido de cooperarem no desenvolvimento de actividades direccionadas para a prevenção do uso abusivo de bebidas alcoólicas, sugeriu Jorge Calos Fonseca.

“O papel da legislação é imprescindível. A sua adequação e efectiva aplicação são determinantes”, sublinhou o Presidente da República, que disse que há indícios de resultados positivos decorrentes de medidas regulatórias da produção de grogue e do horário de funcionamento de estabelecimentos de venda de bebidas alcoólicas.

“Esses reflexos são claros, embora ainda ténues, ao nível de ocorrências policiais e clínicas relacionadas com o uso exagerado de álcool. Um debate sobre a legislação que incide sobre os diversos aspectos relacionados com o uso de bebidas alcoólicas revela-se necessário e urgente”, salientou o Presidente da República.

JL/JMV

Inforpress/Fim

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