Jihad Islâmica rejeita um Estado palestiniano limitado às fronteiras de 1967

 

Faixa de Gaza, 06 Mai (Inforpress) – A Jihad Islâmica, um movimento islâmico radical palestiniano, rejeitou uma declaração de princípio adoptada recentemente pelo Hamas, outro grupo radical palestiniano, em que aceita um Estado palestiniano limitado às fronteiras de 1967, foi divulgado hoje.

O Hamas, que controla a Faixa de Gaza desde 2007, anunciou na segunda-feira, pela primeira vez na sua história, ter alterado o seu programa político, aceitando um Estado palestiniano limitado às fronteiras de 1967 e insistindo no carácter político – e não religioso – do conflito com Israel.

Ao alterar pela primeira vez em quase 30 anos os seus textos fundadores – por alguns países considerados anti-semitas, a começar por Israel –, o movimento está a tentar reentrar no jogo das negociações internacionais, segundo os especialistas.

“Como parceiros dos irmãos do Hamas na luta pela libertação, estamos preocupados com o documento”, disse o número dois da Jihad Islâmica, Ziyad al Nakhala, rejeitando numa mensagem publicada na página na Internet do movimento islâmico radical “uma solução de um Estado palestiniano dentro das fronteiras de 1967”.

Na nova declaração de princípios, a principal alteração é o reconhecimento do Estado da Palestina nas fronteiras de 1967, anteriores à ocupação israelita da Cisjordânia, da Faixa de Gaza e de Jerusalém Oriental.

“Um Estado palestiniano plenamente soberano e independente dentro das fronteiras de 04 de Junho de 1967, com Jerusalém como capital, (…) é uma fórmula de consenso nacional”, refere o texto.

Os outros pontos mais importantes são a distinção entre os judeus “como uma comunidade religiosa, por um lado, e a ocupação e o projecto sionista, por outro” e, também, a atitude de distanciamento do Hamas em relação à Irmandade Muçulmana egípcia.

Ao aceitar um Estado limitado à Cisjordânia, à Faixa de Gaza e a Jerusalém Oriental, o Hamas está a subscrever as fronteiras já reconhecidas pela Organização para a Libertação da Palestina (OLP), da qual não faz parte.

A Jihad Islâmica, que também não faz parte da OLP, considera ainda que o caminho seguido pelo Hamas “leva a um impasse e só pode levar a meias soluções” para a questão palestiniana.
“Somos contra a aceitação pelo Hamas de um Estado dentro das fronteiras de 1967 e sentimos que esta é uma concessão que infringe nas nossas bases”, acrescentou o dirigente da Jihad Islâmica.

A Jihad Islâmica, fundada no início da década de 1980 no seguimento da revolução no Irão, é a segunda força na Faixa de Gaza, depois do Hamas. Este grupo, dedicado à acção armada, tem sido um aliado próximo do Hamas, mas também uma fonte de inspiração ideológica.

Lusa/Fim

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