Isenção aos cidadãos europeus de vistos de entrada no país devia ser discutida com a sociedade – analista

Cidade da Praia,  16 Abr (Inforpress) – O analista político Corsino Tolentino entende que a decisão do Governo de isentar de vistos de entrada no país aos cidadãos da União Europeia (UE) e do Reino Unido devia ser precedida de uma “discussão com a sociedade”.

“Por muito menos outros países fizeram ampla discussão com a sociedade e alguns promoveram referendos. Tomar medidas desse alcance político, financeiro e cultural, sem discutir, não lembraria ao diabo”, comentou Corsino Tolentino, a propósito da medida que o primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva,  anunciou ao país que a partir do mês de Maio os cidadãos da UE e do Reino Unido não precisarão de vistos para entrar em Cabo Verde.

“É  uma maneira brincalhona mas grave de mexer com as relações internacionais e a economia do país”, disse, ainda, o diplomata jubilado, referindo-se a esta  decisão do Governo que está a dividir a opinião pública cabo-verdiana.

Para ele, as relações internacionais “sem o pano de fundo da reciprocidade parece colonialismo”, por definição.

“Mas há os milhões de contos resultantes dos vistos que são, sem divulgação de qualquer estudo, simplesmente eliminados”, sublinhou, para depois  lembrar  que a supressão de vistos é um “privilégio  para todos os cidadãos da União Europeia”.

Na sua opinião, nas relações internacionais, vistas  como um recurso ajustável,  “ninguém deveria nelas aventurar-se sem a virtude da prudência e sem sentido de estratégia. Com esses elementos, nenhum país é pequeno ou grande demais”.

Perguntado se fosse ele chefe do Governo tomaria a mesma decisão, respondeu: “É claro que não, mas faria duas coisas adicionais:  animaria uma grande discussão para ouvir e tratar a informação dela resultante e não poria limites às ambições de Cabo Verde. As únicas fronteiras que promoveriam seriam de ordem financeira, da soberania e ética”, sustentou.

“Respeitando minimamente a lei e a soberania do país, nunca me haveria de ocorrer não pensar seriamente na reciprocidade”, declarou Corsino Tolentino, para quem  nas relações internacionais “ou se vai pela força, que é mais frequente, ou pela negociação sobre o receber e o tomar em determinados momentos”.

Instado a comentar as eventuais perdas para Cabo Verde em milhões de euros, aquele diploma na reforma fê-lo nesses termos: “Ninguém sabe. Assim como ninguém tinha previsto a longa invernada que caiu sobre o norte de África e Médio Oriente, acabando por beneficiar Cabo Verde, entre outros países. Por outro lado, na última década tem-se perguntado até onde vai a previsibilidade da própria Ciência. A tendência dos sábios é ouvir cada vez mais as emoções, a sabedoria do povo e as conclusões científicas”.

LC/AA

Inforpress/Fim

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