IPC quer garantir acesso à cultura às pessoas com deficiências através do projecto “Museus Acessíveis”.

Cidade da Praia, 20 Mai (Inforpress) – O Instituto do Património Cultural (IPC) apresentou hoje, na Cidade da Praia, o projecto “Museus Acessíveis” que visa garantir o acesso à cultura às pessoas com deficiências visuais, auditivas e físicas, afirmando os museus como espaços inclusivos.

O museu etnográfico da Praia vai ser o espaço piloto que vai albergar o projecto “Museus Acessíveis” mas a ideia é mobilizar recursos financeiros para instalá-los a todas as estruturas museológicas de Cabo Verde.

Estas declarações foram feitas à imprensa pelo presidente do IPC, Hamilton Fernandes, que avançou que este projecto está enquadrado nas actividades alusivas ao dia internacional dos Museus, e está estruturado em duas partes: eliminação ou correcção dos obstáculos arquitectónicos e uma outra parte, dedicada à melhoria dos suportes e mecanismos de interpretação dos acervos, isto é, à comunicação.

Ainda antes da pandemia da covid-19, sublinhou Fernandes, o IPC começou a desenvolver este projecto que traduz a nu a questão da acessibilidade aos monumentos históricos em Cabo Verde, algo detectado nos vários diagnósticos realizados.

“Fizemos uma experiência piloto com a fortaleza real de São Filipe na Cidade Velha onde agora é possível pessoas portadoras de deficiência, quer motora quer sensorial, visitar estes monumentos na Cidade Velha”, indicou salientado que criaram ali condições para que as pessoas possam interpretar o património.

“No caso dos museus o mesmo problema se coloca, ou seja, estamos a falar de alguns edifícios que foram adaptados mormente o museu etnográfico da Praia que será o espaço piloto para albergar este projecto e que traz por si só alguns desafios”, ressaltou o presidente.

Dos quais, indicou Hamilton Fernandes, desafios na própria museografia do espaço, pois, argumentou, para além de trabalhar a parte das interpretações em braille, por exemplo, para as pessoas com deficiência visuais, há também a da colocação de elevadores para as pessoas com deficiência motora.

“A nossa preocupação visa não somente a parte física desta estrutura torná-las mais acessível, mas também a própria interpretação”, reforçou.

Porque, conforme observou, muitas vezes as pessoas com deficiências se sentem excluídas em relação às narrativas históricas em Cabo Verde.

Daí, afiançou Fernandes, a urgência e a necessidade de implementar este projecto e a ideia é que à medida que forem mobilizando recursos financeiros, instalá-los em todas as estruturas museológicas de Cabo Verde.

“Tivemos agora acesso a alguns fundos de financiamento não só para o quesito de reabilitação do património que terá que ter como premissa a adaptação e readaptação desses espaços de visitação patrimonial a todos os públicos, mas também os próprios museus”, concretizou.

Hamilton Fernandes adiantou ainda que futuramente as novas edificações que irão albergar espaços museológicas terão de ter como elemento fundamental na própria projecção arquitectónica desde elevadores, rampas até as questões de interpretação.

Segundo o mesmo, o foco é dar respostas a uma necessidade concreta, pelo que estão a trabalhar em parceria com a Federação Cabo-verdiana das Associações de Pessoas com Deficiência (Fecad) bem como outros parceiros nacionais e internacionais.

O presidente da Federação Cabo-verdiana das Associações de Pessoas com Deficiência (Fecad), António Melo, por seu lado, considerou que se trata de uma iniciativa “louvável” primeiro porque, justificou, persegue o desiderato constitucional que fala de fruir a cultura para todos.

“E também é humanista, porque desde da década de 90 que existe o museu etnográfico tenho grande curiosidade em conhecer esse museu, mas nunca tive essa oportunidade, com este projecto eu creio que as pessoas com deficiência poderão visitar os museus em Cabo Verde e participar também na vida cultural do País”, precisou Melo.

Segundo ele, é “mais uma pedra que se põe no edifício da inclusão” que, em seu entender, tem a ver, também, com o interior de cada pessoa, ou seja, sentir-se parte de um determinado projecto e da comunidade, pelo que espera que surjam mais iniciativas desta natureza.

TC/HF

Inforpress/Fim

 

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