Investimento do Estado na reabilitação e conservação dos monumentos e sítios é “muito forte e significativo” – IPC (c/áudio)

Cidade da Praia, 18 Abr (Inforpress) –  O presidente do Instituto do Património Cultural (IPC), Hamilton Jair Fernandes, disse hoje que, pela primeira vez, há um investimento “muito forte e significativo” do Estado na reabilitação e conservação dos monumentos e sítios do país.

“Estamos a falar de um valor total de cerca de um milhão e duzentos mil contos, ou seja, 650 mil contos para intervenção nos monumentos históricos, 620 mil contos para intervenção nos centros históricos classificados como património nacional, e um montante de cerca de 80 mil contos para intervenção nos monumentos financiados pelo Governo dentro de um outro quadro”, disse, em declarações à Inforpress, no âmbito do Dia Mundial dos Sítios e Monumentos, que se assinala hoje.

Para a mesma fonte, há um “sinal claro” que a valorização do património, em prol das comunidades e do turismo, é uma das prioridades do Governo que tem financiado a reabilitação dos edifícios históricos e religiosos do país no âmbito do Programa de Reabilitação, Requalificação e Acessibilidades (PRRA).

No âmbito deste programa vão ser reabilitados 31 edifícios, e, neste momento, já apresentaram para análise os dossiês de concurso de 16 edifícios.

Em particular ao sitio histórico da Cidade Velha, onde neste momento decorrem os trabalhos de reabilitação da Igreja Nossa Senhora do Rosário, informou que o Plano de Gestão de Risco já está finalizado e que o mesmo deve ser entregue, brevemente, à Unesco, pois esta obriga que todos os países que tenham bens inscritos na lista de Património Mundial para apresentem um Plano de Gestão de Risco.

Segundo este responsável, neste plano foram identificadas as ameaças antrópicas, desde incêndios, enxurradas, a pressão turística que o sítio sofre e as medidas para a sua mitigação.

Para além do investimento financeiro, informou que também está a ser feito um forte investimento na capacitação dos recursos humanos do IPC.

Jair Fernandes assegurou que com a actualização da lei do património que data de 90 e, que hoje já “não cumpre os desideratos da contemporaneidade”, e com a ratificação das várias convenções da Unesco o IPC vai conseguir legitimar essa valorização patrimonial, “num quadro macro”.

Salientou ainda a actualização em curso no estatuto do património cultural aliado com as leis de reforma em curso e ao mesmo tempo a atenção que se tem dado no caso particular da integração dos equipamentos dos museus nos espaços patrimoniais.

“Isso é extremamente importante, na perspectiva da valorização e na perspectiva de maximizar financeiramente o investimento que o Estado tem estado a fazer nesses monumentos, ou seja, acaba por mostrar, em certa medida, uma preocupação nunca antes visto”, enfatizou.

A comemoração desta efeméride, assegurou, coincide com a “implementação efectiva” do inventário dos bens patrimoniais, que tem sido levado a cabo em várias ilhas do arquipélago a cerca de um ano e meio.

As ilhas do Fogo e da Brava, avançou, já estão 100 por cento (%) inventariado e georreferenciado, e de seguida vão passar para as ilhas do Maio e de Santiago para fechar o grupo de Sotavento.

“Enquanto isso, iremos também, para além da identificação dos bens, a análise in loco do estado de conservação de todos esses bens, é passar já para a criação de um catálogo e dar a conhecer a todos a saúde efectiva dos nossos bens patrimoniais”, avançou.

Neste momento, o IPC trabalha o dossiê da candidatura do ex-Campo de Concentração do Tarrafal a Património Imaterial da Humanidade e que já foi constituída uma equipa nacional para esse efeito.

“Há todo um trabalho que o ministério está a fazer em prol da diplomacia cultural, tratando-se de um bem de carácter transnacional, ou seja, será uma candidatura transnacional e, sobretudo, aproveitando agora o quadro da presidência pro tempore de Cabo Verde na CPLP” informou.

AM/AA
Inforpress/Fim

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