Investigadora sugere resolver problema do lixo através da cooperação e responsabilização de empresas que exportam para Cabo Verde (c/áudio)

Mindelo, 02 Nov (Inforpress) – A investigadora do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa Luísa Schmidt disse hoje que Cabo Verde deve resolver o problema do lixo através da cooperação e da responsabilização das empresas que exportam para o País.

Luísa Schmidt falava à Inforpress, à margem do painel sobre Literacia Oceânica, do qual participou, sobre “Resíduos nos oceanos e zonas costeiras: barreiras sociais e papel da educação ambiental”, integrado no VI Congresso Internacional de Educação Ambiental dos Países e Comunidades de Língua Portuguesa.

Segundo a professora da ICS-ULisboa, em relação à ilha de Santa Luzia, por exemplo, o lixo que se encontra nessa ilha vem do mar e não é identificado.  Pelo que, defendeu que esse problematem que ser tratado com cooperação porque é fundamental para todos ter atenção a este grande flagelo dos plásticos dos oceanos.

Em relação às empresas que exportam para Cabo Verde ou restantes países da Comunidades de Língua Portuguesa, segundo Luísa Schmidt, elas têm que ser responsabilizadas pelo destino a dar aos seus resíduos tal como acontece na União Europeia.

“As empresas têm essa obrigação e têm esse dever e é uma questão também ética. As empresas quando exportam têm que pensar que destino dar aos resíduos que depois deixam e têm obrigação de encontrar com os países novas formas de tratamento desses resíduos ou criar pequenas indústrias de reciclagem que lhes deem destino”, afirmou.

Ou seja, conforme a investigadora, deve-se apostar na economia circular reutilizando esses resíduos, deixados pelas empresas, como matéria prima noutras áreas, ou para em pequenas indústrias que se fazem no País. Aliás, a mesma lembrou que no Pacto Ecológico Europeu, que surgiu em 2020, já existe uma dimensão externa do pacto que é justamente para criar formas de economia circular nos países africanos e noutros, particularmente nas ilhas.

“É criar soluções adaptadas aos países para onde se exporta. E isso é importantíssimo de se fazer e é um dos objectivos principais desse pacto ecológico naquilo que se chama a dimensão externa. E pode criar aqui uma dinâmica muito interessante nos países africanos”, explicou.

Conforme Luísa Schmidt, a dimensão externa do pacto ecológico europeu cria uma responsabilização por parte dos países europeus e dos seus agentes económicos relativamente aos impactos que deixam nos países para onde exportam ou onde fazem as suas indústrias ou as suas actividades económicas.

 “Esta dimensão externa precisa ser muito mais trabalhada e precisa de ser requerida pelos próprios países, porque a União Europeia quer, efectivamente, dar exemplo neste ponto de vista e ser pioneira nesta responsabilidade que tem relativamente aos seus impactos nos países terceiros. Portanto, é uma oportunidade única para começar a trabalhar este assunto”, acrescentou.

A investigadora aconselhou também a instalação de sistemas de separação e de recolha de resíduos sólidos urbanos e industriais porque, lembrou, traz grandes vantagens para o País, que fica mais limpo, para as pessoas que têm mais qualidade de vida e para criar novas indústrias e novas actividades ligadas a estes resíduos e novos produtos.

“É preciso vontade política, pressão da opinião pública. As escolas têm um papel importante e as crianças e os jovens estão sensibilizados. E há possibilidade de um apoio específico também nesta matéria porque as empresas exportadoras podem contribuir para este sistema, para o ajudar a montar”, sustentou, lembrando que os países europeus podem ajudar na montagem deste sistema através da cooperação, porque são os países do Norte que emitem mais gases de efeito estufa que acaba por afectar os do sul.

CD/CP

Inforpress/Fim

Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
  • Galeria de Fotos